- Serhiy Lobanov e Iryna Stetsenko se casaram em Pripyat, pouco antes da explosão do reator quatro de Chernobyl, sem perceber que o desastre ocorrera a menos de quatro quilômetros.
- Na manhã de 26 de abril de 1986, o casamento seguiu com cerimônia no Palácio da Cultura, mas o clima era de preocupação diante da tragédia nuclear em curso e da evacuação iminente.
- O acidente liberou radiação; houve evacuação forçada, mortes entre trabalhadores e centenas de milhares mobilizados para conter a contaminação. O número oficial de óbitos é trinta e um, com estimativas de longo prazo variando amplamente.
- O casal construiu nova vida após a explosão, hoje residindo em Berlim, Alemanha, após deixar a região por causa do conflito e de ameaças à segurança.
- A área ao redor de Chernobyl permanece restrita e sob vigilância: a usina continua monitorada, o sarcófago foi reforçado, os edifícios de Pripyat permanecem em ruínas e a região da exclusão não é habitável.
O último casamento de Chernobyl: o casal que se casou enquanto um desastre nuclear se desenrolava. Iryna Stetsenko e Serhiy Lobanov oficializaram a união em Pripyat, a poucos quilômetros da usina, sem compreender a gravidade do que acabava de ocorrer. Naquela madrugada de 26 de abril de 1986, o país ainda tentava manter as aparências diante de um incidente que não era divulgado amplamente.
Os jovens tinham, respectivamente, 19 e 25 anos e planejavam viver a vida de casados na cidade soviética recém-construída. Enquanto o noivo buscava flores e preparava a lua de mel, a explosão do reator quatro expôs a população a níveis perigosos de radiação. A evacuação, considerada temporária, tornaria-se permanente para o casal e milhares de outras pessoas.
O dia do casamento e a evacuação
No dia seguinte, a visão do reator em chamas tornou evidente a dimensão do ocorrido. Bombeiros e trabalhadores da usina enfrentaram a radiação durante a contenção do desastre. Diante da incerteza, os noivos seguiram para o Palácio da Cultura, onde fizeram os votos, mas o clima foi de cautela. A primeira dança foi interrompida pela percepção de que algo grave se desenrolava ao redor.
Em poucas horas, o casal teve de abandonar a cerimônia para uma evacuação que duraria anos. Iryna, grávida de três meses, recebeu orientação médica prudente, mas decidiu seguir com a gestação. A filha Katya nasceu em 1986, saudável, e mais tarde o casal teve neta de 15 anos.
Consequências e vida após o desastre
A explosão do reator liberou radiação em grande escala, com estimativas variando entre milhares de mortes diretas e impactos a longo prazo. Cerca de 31 pessoas morreram oficialmente na época, e o número de vítimas futuras é tema de debate entre organizações internacionais. Nível de radiação elevado levou à construção do sarcófago e, posteriormente, a um escudo de proteção mais moderno.
Nos anos seguintes, muitos trabalhadores, conhecidos como liquidadores, atuaram na limpeza dos escombros. Entre eles, profissionais da Estônia que, ao lado de outros, removiam detritos sob condições extremas de radiação. O casal permaneceu próximo da zona de exclusão durante os primeiros dias, em Poltava, no leste da Ucrânia, antes de buscar abrigo na Europa.
Da Ucrânia à Alemanha
A relação do casal se manteve firme ao longo das décadas. A família passou por várias mudanças de vida, com a evacuação transformando-se em resiliência. Em 2022, após invasões e danos em Kyiv, Serhiy e Iryna buscaram refúgio na Alemanha, onde residam hoje. As memórias do casamento mantêm-se como marco de apoio mútuo entre eles.
O Palácio da Cultura, local da cerimônia, hoje encontra-se abandonado. A usina de Chernobyl permanece sob monitoramento constante, com o escudo de proteção atualizado ao longo dos anos. A região, ainda permeada por vulnerabilidades, continua sob atenção internacional por riscos residuais de radiação.
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