- Professor Tarek Masoud, da Universidade de Harvard, responde perguntas online sobre a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos em um episódio do Tech Support Iran.
- Segundo Masoud, o Irã não possui armas nucleares publicamente comprovadas; está com enriquecimento de urânio em cerca de 60% e ainda levaria semanas para chegar a 90%, mas mesmo com isso faltam passos para um arma deliverable.
- O JCPOA (Acordo Nuclear de 2015) limitava o programa nuclear iraniano em troca de alívio de sanções; críticos apontam fragilidades e que o acordo não seria permanente, enquanto adversários afirmam que inspeções eram insuficientes.
- A Straits of Hormuz e o Bab al-Mandab são pontos estratégicamente importantes para o petróleo mundial; ataques iranianos a bases e aliados visam aumentar custos da guerra e pressionar para um acordo.
- Hezbollah e Houthis são apontados como proxies do Irã; o episódio de setembro de 2024 mostrou golpes significativos à Hezbollah, com impactos na dinâmica regional e no esforço de Israel e dos EUA para conter o Irã.
Professor Tarek Masoud, da Universidade de Harvard, participou do WIRED para esclarecer dúvidas sobre o conflito entre Irã, Israel e os Estados Unidos, em formato de entrevista intitulado Tech Support Iran.
Masoud afirma que o vitorioso em uma guerra é quem atinge seus objetivos estratégicos, não quem acumula mais baixas. O debate aborda armas nucleares, sanções, alianças e estratégias regionais.
O professor ressalta que não há informações públicas de um arsenal nuclear iraniano, e que o Irã não declarou possuir. Enriquecimento até 60% aproxima o caminho para 90%, porém há passos técnicos entre material e arma.
O que é JCPOA e seu papel
Masoud explica o JCPOA, acordo de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano em troca de alívios de sanções, com inspeções da IAEA. Avalia que o acordo foi benéfico, mas não suficiente, e que falhas de implementação contribuíram para a deterioração.
Com a saída dos EUA em 2018 e a política de máxima pressão, o Irã acelerou enriquecimento e interrompeu inspeções. Biden tentou reentrar no acordo, mas o Irã exigiu garantias contra futuras negações. A conclusão é que o acordo foi bom, mas incompleto.
Ameaça iraniana e avaliação estratégica
Segundo Masoud, há divergências sobre a real ameaça ao EUA. Alguns veem o Irã como adversário direto com histórico de hostilidade, outros enxergam ameaça regional gerenciável. Hoje, a leitura é de que o Irã continua ativo e desafiando interesses norte-americanos.
Ele destaca que ataques do Irã atingem alvos na região, inclusive bases americanas, como forma de aumentar o custo da continuidade do conflito e pressionar por acordos. A postura busca deslegitimar intervenções ocidentais.
Estradas estratégicas e consequências econômicas
Masoud descreve o estreito Estreito de Hormuz como ponto crítico, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Também aponta Kharg Island e o Bab al-Mandab como gargalos que poderiam impactar o comércio global e pressionar mercados.
O comentador observa que, embora a vitória militar possa ser discutida, o objetivo estratégico de longo prazo permanece complexo, envolvendo estabilidade regional e o futuro regime iraniano. O peso econômico do conflito é destacado.
Hezbollah, proxy e cenários regionais
O especialista analisa Hezbollah como força-chave de retaguarda iraniana no Líbano, com histórico de envolvimento em conflitos contra Israel e apoio a redes regionais. Mesmo com impactos recentes, a organização permanece relevante no tabuleiro regional.
Por fim, Masoud pondera que a relação entre EUA, Irã e potências regionais envolve múltiplas frentes. A resolução provável depende de negociações, pressão econômica e acordos que assegurem objetivos estratégicos sem escalada descontrolada.
Entre na conversa da comunidade