- Hamas afirma estar disposto a entregar milhares de fuzis automáticos e outras armas pertencentes à sua força policial e a serviços de segurança interna em Gaza ao comitê administrativo palestino, supervisionado pelo Conselho de Paz liderado pelo presidente Donald Trump.
- A medida seria uma concessão inédita do grupo, que até então não havia aberto mão de parte de seu arsenal.
- A proposta ocorre em meio a negociações no Cairo entre Hamas, o Conselho de Paz e outras facções, para transferir a governança de Gaza ao novo comitê.
- Os representantes não esclareceram se também haveria confisco de armas da ala militar do Hamas, que se estima possuir muito mais armamentos que a polícia.
- Analistas veem a declaração como potencial abertura para negociações adicionais, ou apenas uma manobra para atenuar pressão internacional.
O Hamas afirmou estar disposto a entregar milhares de fuzis automáticos e outras armas pertencentes à sua força policial e a serviços de segurança interna de Gaza. A proposta seria encaminhar o armamento ao comitê administrativo palestino, criado para governar Gaza, sob supervisão de um órgão apoiado pelos Estados Unidos.
A oferta representa uma concessão inédita do grupo, que até agora não abriu mão de parte de seu arsenal. A ideia foi comunicada por dois representantes do Hamas, que falaram em condição de anonimato ao New York Times.
O comitê administrativo, ligado ao chamado Conselho de Paz, negocia com o Hamas desde a semana passada no Cairo, em meio a debates sobre um cessar-fogo e a futura governança de Gaza. O Hamas já havia sinalizado a transferência de responsabilidades de serviços públicos.
A proposta não abrangeu explicitamente a desmilitarização total de Gaza, ponto exigido por Israel e pelo plano de paz de Trump. Autoridades envolvidas também não esclareceram se a ala militar do Hamas entregaria armas além da polícia.
Especialistas atribuem à ala militar do Hamas um arsenal maior do que o da força policial, incluindo dezenas de milhares de fuzis e armamentos pesados. A narrativa da liderança de Gaza poderia indicar uma adaptação estratégica diante da pressão internacional.
Os representantes, que responderam por escrito, disseram que o grupo já realizou três reuniões com outras facções armadas na cidade de Gaza para delinear a transferência de governança para o novo comitê. O diálogo ocorre em meio a incertezas sobre o futuro controle do território.
Avaliadores destacam que a possibilidade de desarmamento parcial pode abrir espaço para negociações adicionais sobre o restante do arsenal. O Hamas mantém visão de influenciar a política palestina e resistir a Israel até a criação de um Estado independente.
Entre as vozes da população, há pedidos por fim do conflito e pela retirada de tropas israelenses, mantendo o Hamas fora do governo apenas se houver condições estáveis para a reconstrução de Gaza. O cenário segue marcado por tensões e desinformação sobre intenções de cada lado.
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