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Lula diz que Trump quer guerra; Brasil quer ensinar África a fazer paz

Lula propõe cooperação Brasil-África com transferência de tecnologia agrícola, em resposta a Trump e para compensar dívida histórica do país

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Pomar da Ciência, na Embrapa Cerrados, Planaltina - DF.
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  • Lula, na abertura da Brasil na Mesa, afirmou que o Brasil deve ampliar a cooperação com países africanos, transferir tecnologia agrícola e firmar convênios entre universidades brasileiras e instituições africanas.
  • O presidente citou a diferença com o ex-presidente americano Donald Trump, dizendo que “enquanto ele quer fazer guerra, nós queremos ensinar o povo africano a fazer paz, produzindo alimentos e irrigando o mundo”, e mencionou a transferência de conhecimento como forma de compensar a “dívida histórica”.
  • Lula ressaltou que países ricos deveriam investir na transformação da África em um celeiro mundial de alimentos e biocombustíveis, em vez de gastar com armamentos.
  • O discurso também trouxe a assinatura de decreto que abre mais mil vagas na Polícia Federal, totalizando as oportunidades, e a determinação de retorno de delegados e agentes que estão afastados, mantendo fora apenas quem era secretário de Estado.
  • O momento envolve atrito com os Estados Unidos, após a expulsão de um delegado da Polícia Federal pelo Departamento de Estado e a resposta brasileira com a retirada de credenciais de um agente norte-americano, em sinal de reciprocidade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 24 de abril de 2026, na abertura da feira Brasil na Mesa, na Embrapa Cerrados, Planaltina (DF), que o Brasil deve ampliar a cooperação com países africanos. Em tom crítico à postura de ações militares, ele disse que o Brasil pode ensinar África a buscar a paz por meio da produção de alimentos e da irrigação mundial.

A cerimônia celebra os 53 anos da Embrapa e marca a proposta de convênios entre universidades brasileiras, a Embrapa e instituições africanas para formação técnica agrícola. A ideia é fortalecer a capacidade de pesquisa e transferência de conhecimento no setor agropecuário.

Lula indicou que a iniciativa busca compensar o que chamou de dívida histórica pela escravidão, estimada em 350 anos. Segundo ele, a forma de pagamento não seria financeira, mas por meio da transferência de tecnologia e conhecimento para o continente.

No discurso, o presidente situou a proposta no cenário geopolítico atual, afirmando que países ricos deveriam investir na África como polo global de alimentos e biocombustíveis, em vez de direcionar recursos para armamentos.

Em relação à segurança pública, Lula elogiou a assinatura de decreto que abre mais 1.000 vagas na Polícia Federal, somando-se às 1.000 criadas em dezembro, com a previsão de que todos os cargos sejam preenchidos pela primeira vez. Também afirmou que determinou o retorno de delegados e agentes que estão fora da PF, mantendo apenas indivíduos ligados a secretarias de Estado afastados.

O anúncio ocorre em meio a rupturas entre Brasil e Estados Unidos. O Departamento de Estado dos EUA expulsou um delegado da PF ligado ao ICE em Miami, sob a alegação de tentativa de manobra no sistema de imigração para contornar pedidos de extradição. A medida ocorreu após a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pelo STF por envolvimento em tentativa de golpe.

Em resposta, a Polícia Federal informou a retirada de credenciais de um agente norte-americano no Brasil, com base no princípio da reciprocidade. A troca de medidas evidencia o momento de tensão diplomática entre os dois países, em meio a investigações e casos internos envolvendo autoridades.

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