- Mais de 30 milhões de pessoas devem recuar à pobreza por causa da guerra do Irã, com impactos no fornecimento de combustível e fertilizantes.
- A escassez de fertilizantes, agravada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, já reduz a produtividade agrícola e deve afetar a produção ainda este ano.
- A insegurança alimentar deve atingir o pico em alguns meses, com efeitos indiretos já reduzindo o PIB global entre 0,5% e 0,8%.
- A crise também dificulta os esforços humanitários, com financiamento menor e necessidades maiores em lugares como Sudão, Gaza e Ucrânia.
- Mesmo no fim da guerra, os impactos persistem, e partes da população poderão ficar sem ajuda, conforme alertou o PNUD.
BANGCOC, 23 abr (Reuters) — A guerra envolvendo o Irã pode empurrar mais de 30 milhões de pessoas de volta à pobreza nos próximos meses, segundo o chefe de desenvolvimento da ONU. As interrupções no abastecimento de combustível e fertilizantes são apontadas como principais gatilhos.
A escassez de fertilizantes, agravada pelo bloqueio de navios no Estreito de Ormuz, já reduziu a produtividade agrícola, afirmou o administrador do PNUD à Reuters. A tendência é de queda na produção ao longo deste ano.
Entre os impactos citados estão menos energia disponível e menor remessa mundial de insumos. Mesmo com o fim da guerra hoje, os efeitos já estariam em curso e teriam alcance global.
O chefe do PNUD ressaltou que a insegurança alimentar deve atingir o auge em alguns meses, com consequências já visíveis para a biodiversidade alimentar. A crise se conecta a outros problemas energéticos e logísticos.
Dados de instituições internacionais também sinalizam pressões com alta de preços de alimentos, acionando impactos em populações vulneráveis ao redor do mundo, segundo relatos divulgados neste mês.
A crise humanitária se agrava pela diminuição de financiamento para ajuda humanitária, além do aumento de necessidades em áreas já acometidas por emergências, como Sudão, Gaza e Ucrânia.
A avaliação aponta que efeitos indiretos da crise já eliminam entre 0,5% e 0,8% do PIB global, em estimativas que refletem o encarecimento de cadeias produtivas e mercados de energia.
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