- O governo de Javier Milei intensificou ações para identificar imigrantes sem documentação em Buenos Aires, em bairros como Liniers e Once.
- Agentes montaram postos de controle que exigem documento de identificação e impressões digitais, prejudicando comerciantes e moradores locais.
- Entre janeiro e abril, cerca de 10 mil pessoas foram expulsas ou impedidas de entrar no país.
- A medida acompanha a mudança da Direção Nacional de Imigrações para o Ministério da Segurança, ocorrida em novembro, com promessas de regras mais claras e maior controle de fronteiras.
- Em janeiro, 5 mil pessoas não puderam entrar ou foram expulsas; estudo da Ipsos aponta baixa preocupação com migração entre argentinos (5%).
Os agentes federais da Argentina intensificaram ações de controle migratório contra pessoas sem documentação, com operações em bairros de Buenos Aires e regiões com forte presença de imigrantes bolivianos. Em 6 de fevereiro, duas quadras da rua José León Suárez no bairro de Liniers foram fechadas por horas para identificar migrantes irregulares. Comerciante local estima perda de cerca de 200 mil pesos pelo dia de paralisação do box de venda.
A região de Liniers é conhecida pela presença de itens típicos da Bolívia, incluindo comidas, bolsas andinas e joias. Não houve registro de prisão de moradores, mas os operativos restringiram atividades comerciais na área. Segundo relatos, o movimento foi drasticamente impactado pela retirada de clientes durante o dia.
Ação institucional e números oficiais
O Ministério de Segurança informou que, de janeiro a abril, aproximadamente 10 mil pessoas foram expulsas ou impedidas de entrar no país. A chefe da pasta, Alejandra Monteoliva, comentou em vídeo que houve mudanças de gestão da Imigração para reforçar o controle fronteiriço. O anúncio ocorreu após a transferência da direção para a pasta de Segurança em novembro.
Mudança de estratégia e críticas
Em janeiro, Monteoliva já havia indicado que 5.000 pessoas não puderam entrar ou foram expulsas nos dois primeiros meses do ano. A medida faz parte de uma linha de políticas que tem gerado debate público e relatos de discriminação entre imigrantes locais. O governo apenas reforça que a imigratória está sendo fortalecida.
Repercussões locais e regionais
Paralelos com Chile e Peru mostram um eixo de políticas mais rígidas. O Chile anunciou barreiras na fronteira e maior fiscalização, enquanto o Peru discutiu propostas de expulsão de imigrantes durante eleições. Dados de Ipsos indicam que a imigração é preocupação relevante para 31% dos chilenos e 12% dos peruanos.
Contexto demográfico argentino
Na Argentina, o censo de 2022 aponta cerca de 1,9 milhão de estrangeiros, equivalente a 4,2% da população. O país tem registrado leve estabilidade na participação de estrangeiros ao longo das últimas décadas, sem dados oficiais sobre imigrantes em situação irregular. A migração não figura entre as principais preocupações nacionais.
Perspectiva institucional e opinião pública
Analistas observam que o tema migração ganha espaço político em contextos de extrema direita em outros países, o que pode influenciar a opinião pública local. Especialistas destacam que as políticas migratórias representam resposta governamental a pressões de segurança, mas também requerem monitoramento de impactos sociais.
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