- Dois ativistas estrangeiros, Saif Abu Keshek, espanhol, e Thiago Ávila, brasileiro, foram apresentados no tribunal de Ashkelon após serem interceptados no Mediterrâneo.
- A detenção deles foi estendida por quatro dias para interrogatório, conforme a organização Adalah.
- A flotilha com mais de cinquenta barcos partiu de França, Espanha e Itália para romper o bloqueio de Gaza; a interceptação ocorreu em águas internacionais perto da Grécia.
- Autoridades israelenses afirmam que os dois tinham ligação com a Conferência Popular para Palestinos no Exterior (PCPA), grupo sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e associado ao Hamas.
- Relatos de ativistas apontam violência durante a apreensão, com Ávila dizendo ter sido brutalizado e mantido isolado; Abu Keshek também foi descrito como amarrado e de olhos vendados durante o transporte para Israel.
Dois ativistas estrangeiros foram apresentados à Justiça israelense neste domingo, em Ashkelon, após terem sido interceptados no Mediterrâneo, perto da Grécia, na última quinta-feira. Saif Abu Keshek, espanhol, e Thiago Ávila, brasileiro, aguardam decisão sobre a prisão preventiva, com o estado solicitando a prorrogação de quatro dias.
A flotilha, com mais de 50 embarcações, zarou de França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio de Gaza e levar suprimentos à Faixa. Ao todo, 175 ativistas foram removidos pelas forças israelenses em águas internacionais, dois deles levados a Israel para interrogatório.
Detenção e acusações
A organização de direitos humanos Adalah informou que os advogados tiveram contato com os detidos no presídio Shikma, em Ashkelon. Ávila relatou ter sido submetido a violência durante a tomada das embarcações, incluindo agressões que o fizeram desmaiar em duas ocasiões, além de isolamento e balizamento visual desde a chegada a Israel. Abu Keshek também descreveu mãos amarradas e uso de venda nos olhos desde o momento da apreensão.
Segundo a Embaixada de Israel, os dois ativistas tinham vínculo com uma organização sancionada pelo Tesouro dos EUA. A pasta afirmou que o PCPA, conhecido como Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, é acusado de atuar clandestinamente em nome do Hamas. O governo espanhol manifestou preocupação com a detenção de Ávila e rejeitou as acusações contra ele.
Contexto da operação e desdobramentos
Organizadores afirmam que a interceptação ocorreu a mais de 1.000 km de Gaza, com equipamento danificado pelas forças israelenses. Na sexta-feira, dezenas de ativistas desembarcaram na ilha grega de Creta. A Global Sumud Flotilla, já em sua primeira viagem pelo Mediterrâneo em 2025, chamou atenção internacional ao ser interceptada pelas autoridades durante operações próximas ao Egito e Gaza.
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