- O governo dos EUA removeu ferramentas e dados sobre químicos perigosos, dificultando saber quem mora perto de instalações industriais.
- Dados do sistema Prams, a principal pesquisa sobre experiências de gravidez, foram amplamente desligados, tornando o acesso público aos dados mais difícil.
- A pesquisa nacional sobre insegurança alimentar CPS-FSS foi encerrada, complicando a avaliação dos impactos dos cortes no programa de alimentação.
- Questões sobre identidade de gênero e orientação sexual foram removidas de pesquisas com jovens, reduzindo a disponibilidade de informações para políticas públicas.
- O banco de desastres climáticos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) deixará de ser atualizado, afetando modelos de seguro e planejamento de resposta a crises.
O governo dos Estados Unidos vem promovendo alterações e remoções em conjuntos de dados públicos, afetando informações que ajudam a entender problemas sociais, ambientais e de saúde. Analistas alertam que o apagamento de bases de dados pode ter efeitos duradouros para futuras políticas públicas e para a população.
Especialistas dizem que a infraestrutura de dados do governo poderá perder continuidade, dificultando a avaliação de desastres, saúde materna, fome, violência contra jovens e vulnerabilidade ambiental. As mudanças acontecem sob a justificativa de reformas administrativas, com impactos sobre quem acessa informações oficiais.
Dados públicos ajudam a definir prioridades e o direcionamento de recursos. Com menos dados disponíveis, governos locais e organizações de assistência enfrentam maiores desafios para planejar intervenções, monitorar problemas e responder a emergências. O tema é tema de debate entre pesquisadores e defensores de transparência.
1. Ferramenta de gestão de riscos perto de químicos perigosos fica indisponível
Antes, mapas da EPA permitiam saber se alguém mora próximo a instalações que armazenam substâncias químicas perigosas. O acesso era feito pela página do Risk Management Program (RMP). A retirada dificultou a identificação de áreas de risco.
Organizações de defesa ambiental afirmam que a ausência da ferramenta reduz a proteção de comunidades vulneráveis. A região do Houston Ship Channel, com centenas de instalações químicas, é citada como exemplo de impacto comunitário. Sem o recurso, moradores precisam consultar registros impressos em salas de leitura.
Pesquisadores ressaltam que a eliminação ocorre em meio a propostas de flexibilização de regulações de segurança em plantas químicas, elevando incertezas sobre prevenção de acidentes. A perda de dados pode atrasar ações de fiscalização e preparo para desastres.
2. Dados de gravidez e saúde materna ficam inacessíveis
O sistema de monitoramento de risco durante a gravidez, conhecido como Prams, é a principal pesquisa sobre experiências de gestantes. Ele orienta políticas de cuidado pré-natal, visitas domiciliares e financiamento de serviços em áreas de maior desigualdade.
Atualizações sinalizam que a equipe federal responsável pela saúde reprodutiva foi reduzida, dificultando a aprovação de solicitações de dados. Com o encerramento de equipes, muitos estados podem perder acesso a informações para buscar financiamento adicional e planejar intervenções locais.
Especialistas observam que, em estados com piores indicadores de saúde materna, a ausência de dados dificulta o acompanhamento de indicadores como peso ao nascer e mortalidade infantil. A ausência de informações públicas pode atrasar ações de saúde pública.
3. Medidas de combate à fome perderam medição nacional
A pesquisa CPS-FSS, que acompanha a insegurança alimentar desde 1995, foi encerrada. O conjunto de dados era usado para entender a extensão da fome e orientar políticas de assistência e nutrição.
A decisão coincide com cortes históricos no programa de assistência alimentar (Snap), de forma que a ausência de dados impede avaliação do impacto dessas mudanças. Organizações de defesa social relatam que estados e organizações de ajuda dependem de métricas para planejar apoio a famílias vulneráveis.
Especialistas destacam que a retirada da pesquisa dificulta a mensuração de resultados de políticas de alimentação e a advocacy por financiamento adicional para bancos de alimentos e redes de assistência.
4. Questões sobre identidade de gênero removidas de pesquisas associadas a jovens
A Pesquisa de Comportamento de Risco entre Jovens (YRBS) passou a não incluir perguntas sobre identidade de gênero. O recorte afeta a compreensão de saúde mental, uso de substâncias e intervenções de prevenção do suicídio voltadas a jovens trans e não binários.
Organizações que defendem direitos de LGBTQIA+ afirmam que a exclusão de dados dificulta a avaliação de políticas públicas e o acesso a serviços de saúde. Pesquisadores destacam que a remoção de perguntas sobre identidade de gênero está ligada a ações administrativas anteriores.
Estudos indicam que a ausência de dados sobre identidade de gênero está presente em dezenas de conjuntos de dados federais, o que complica o monitoramento de grupos vulneráveis e a alocação de recursos para políticas de inclusão.
5. Custos de desastres climáticos deixam de ser calculados pela família de dados oficiais
A base de dados Billion-Dollar Weather and Climate Disasters, da NOAA, que acompanha eventos climáticos com custos superiores a um bilhão de dólares, deixou de receber atualizações regulares. A mudança reduz a precisão de modelos de seguro e planejamento de risco.
Especialistas em seguros apontam que a falta de dados confiáveis pode levar a reajustes de prêmio mais conservadores ou a saída de mercados, prejudicando moradores de regiões suscetíveis a desastres. A ausência de informações históricas dificulta a avaliação de impactos de eventos climáticos.
Pesquisadores alertam que, sem esse conjunto de dados, é mais difícil entender tendências de desastres e justificar investimentos em mitigação, infraestrutura e assistência a comunidades afetadas.
Fonte: The Guardian. O conjunto de alterações reflete debates sobre transparência, governança de dados e o papel da ciência na formulação de políticas públicas.
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