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Coreia do Sul cancela vistoria e atrasa abertura de mercado para carne brasileira

Coreia do Sul cancela visitas a plantas frigoríficas e não apresenta novas datas, frustrando a abertura do mercado de carne brasileira e ampliando as perdas com as cotas da China

Lula e sua comitiva se reúnem com o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, e membros do governo
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  • Coreia do Sul cancelou as visitas a plantas frigoríficas brasileiras e não informou nova data.
  • O motivo, segundo o adido agrícola em Seul, é que as inspeções técnicas prioritárias do país neste ano estão concentradas em produtos agrícolas.
  • A abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina era vista como etapa-chave e conquista do governo Lula.
  • O contexto envolve a China, que anunciou salvaguardas de três anos com tarifa de cinquenta e cinco por cento sobre volumes acima da cota; o Brasil já atingiu metade da cota de 2026.
  • A Abiec afirma que não há destino capaz de substituir a China e prevê queda nas exportações de carne bovina em 2026 por conta das restrições.

A Coreia do Sul cancelou as visitas previstas a plantas frigoríficas de carne bovina brasileira, interrompendo o que era visto como etapa decisiva para abrir o mercado sul-coreano ao produto brasileiro. As inspeções, anunciadas para ocorrer em junho, não tiveram nova data divulgada. Segundo um adido agrícola em Seul, as vistorias foram suspensas porque as prioridades técnicas do país concentram-se em inspeções de outros produtos agrícolas neste ano. A expectativa de avanço nas negociações já era considerada uma das principais vitórias do governo Lula na relação comercial com a Coreia do Sul.

A decisão foi comunicada a Brasília por Tiago Charão de Oliveira, o adido agrícola que encaminhou o comunicado. O Ministério da Agricultura e Pecuária não respondeu aos contatos sobre o assunto. O episódio ocorreu em meio ao contexto de busca por ampliar exportações brasileiras de carne bovina, após etapas anteriores de negociação sinalizarem avanço.

Abertura do mercado sul-coreano era considerada crucial para compensar perdas no comércio externo brasileiro, sobretudo diante das medidas de salvaguarda impostas pela China no fim do ano passado. A China anunciou tarifas elevadas para volumes acima da cota de importação, o que elevou a urgência de diversificar destinos para a carne bovina brasileira. A indústria brasileira segue acompanhando o desfecho das tratativas com Seul e os impactos potenciais sobre o volume exportado em 2026.

Impacto nas negociações

O Governo brasileiro encara o episódio como uma mudança de etapa, ainda que as negociações estejam em curso. Analistas destacam que o atraso em vistorias pode atrasar a confirmação sanitária necessária para concluir o acordo. O Brasil tinha visto sinalizações de abertura, mas não houve confirmação de novas datas para as visitas.

Cenário do comércio externo

Especialistas apontam que a China segue sendo o principal comprador, com cota de 1,1 milhão de toneladas para 2026 sob salvaguardas, o que pode impactar as exportações caso o país exceda o teto. Em 2025, o Brasil enviou cerca de 1,65 milhão de toneladas à China. A expectativa de que novos mercados, como a Coreia do Sul, absorvam parte dessas vendas permanece, mas depende de validação sanitária e de cronogramas de inspeção.

Perspectivas para 2026

A Abiec afirma que não há substituto imediato para o espaço deixado pela China, estimando queda nas exportações de carne bovina brasileira em 2026 caso as restrições se mantenham de forma significativa. A entidade ressalta a importância de diversificar destinos e acelerar procedimentos sanitários para ampliar as oportunidades de venda externa.

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