- O banimento de bebidas alcoólicas vindas dos EUA permanece, e produtores canadenses dizem que as vendas domésticas cresceram: +60% em Ontário e +40% em Quebec.
- O embargo começou em 4 de fevereiro de 2025 e não deve terminar em breve; negociações não parecem próxima de ocorrer.
- Segundo dados anteriores, a proibição já tirou US$ 357 milhões das exportações americanas em pouco mais de um ano, descrito como a maior interrupção anual do comércio de vinhos dos EUA.
- Muitos produtores estão priorizando o mercado interno, mas mantêm exportações estáveis; há expectativa de ampliar distribuição de vinhos canadenses.
- Ontario e outras províncias avançam para facilitar vendas interprovinciais; o premier de Ontário, Doug Ford, afirma que as bebidas dos EUA só voltam às prateleiras se as tarifas forem removidas, com prazo incerto.
O embargo de bebidas alcoólicas dos EUA sobre o Canadá continua a impactar fortemente as vendas no mercado doméstico. Produtores canadenses de vinho observam efeito significativo e não veem solução à vista nos próximos anos, mesmo com negociações em curso.
Durante o Taste Canada realizado em Trafalgar Square, em Londres, representantes do setor repetiram que não há perspectiva de fim do banimento em curto prazo. A percepção é de resistência do consumidor canadense e de mudanças culturais de compra interna.
Segundo a responsável pelo setor de bebidas alcoólicas da comissão de comércio do Canadá, o banimento é visto como um ato contínuo de resistência do consumidor, com impactos ainda mais expressivos para a indústria local em diferentes províncias.
Cenário atual
Em Ontário, as vendas no mercado interno cresceram cerca de 60% desde o início do banimento, enquanto em Quebec a alta foi de aproximadamente 40%. A ampliação demonstra que consumidores estão mantendo o foco em produtos nacionais em vez de importados.
A executiva ressaltou que o fenômeno acompanha uma mudança de hábitos, com maior interesse por produtos canadenses em áreas como alimentos e viagens internas. A indústria afirma que há irritantes comerciais entre EUA e Canadá que não se resolvem rapidamente.
Fontes próprias indicam que o banimento provocou a retirada de cerca de US$ 357 milhões das exportações americanas em pouco mais de um ano, considerado pela Wine Institute da Califórnia como a maior perturbação já registrada.
Produção e exportação
Os produtores canadenses têm enfatizado a importância de manter o foco no mercado interno sem abandonar completamente as exportações. Para alguns, a estratégia já inclui ampliar vendas diretas ao consumidor e fortalecer lojas de venda de vinhos no país.
Norman Hardie, produtor de Ontario, afirma que a qualidade dos vinhos canadenses melhorou bastante nos últimos anos. Em caso de eventual retomada, ele aposta que o deslocamento de consumidores não será imediato em direção aos vinhos norte-americanos.
Empresários destacam que a reconfiguração da distribuição pode favorecer vinícolas menores, ampliando a presença de rótulos regionais e abrindo portas para novas parcerias dentro do Canadá. Há também ressalva de que a exportação continuará estável para aquelas que já tinham foco nesse canal.
Perspectivas políticas e comerciais
Está prevista a abertura para venda entre províncias, o que deve ampliar a circulação de produtos nacionais. Embora o governo federal tenha atrasado a meta de 1º de maio, a expectativa é de avanços próximos, com impacto positivo para a demanda interna.
Ontario apoia medidas para permitir vendas recíprocas com outras províncias, o que deve reforçar o mercado doméstico. A interação entre produtores, autoridades e varejo é apresentada como crucial para manter o impulso de consumo local.
O banimento segue sob escrutínio político, com a observação de que mudanças no cenário regulatório podem demorar. Enquanto isso, produtores destacam a necessidade de manter padrões de qualidade e inovação para sustentar o crescimento.
Entre na conversa da comunidade