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EUA pressionam Argentina e Chile para barrar telescópios chineses

Pressão dos EUA leva à interrupção do radiotelescópio sino-argentino em San Juan, impactando pesquisas e elevando a tensão geopolítica com a China

Radiotelescópio grande em formato de prato parabólico instalado em área desértica. Céu escuro com estrelas visíveis ao fundo e montanhas ao longe. Equipamento de construção e guindaste próximos à estrutura.
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  • EUA pressionaram Argentina e Chile para barrar telescópios chineses, com episódios no observatório Cesco, na Argentina, e no deserto do Atacama, no Chile.
  • No Cesco, peças finais essenciais foram retidas pela alfândega por cerca de nove meses, deixando a antena gigante sem funcionamento.
  • Autoridades americanas afirmaram temer uso militar do telescópio chinês, como rastrear satélites norte‑americanos ou se comunicar com satélites da China.
  • O Chile interrompeu, no ano passado, um projeto chinês de observatório no Atacama após pressão de autoridades dos EUA.
  • Em Neuquén, Argentina, uma base de controle de satélites da China, criada em 2015, opera por contrato de cinquenta anos; os EUA veem isso como indicativo da crescente influência chinesa na região.

No sopé dos Andes, o radiotelescópio chinês previsto para o observatório Cesco, em San Juan, Argentina, ficou paralisado. A obra, que reunia investimentos de US$ 32 milhões, foi interrompida após pressões de autoridades americanas. Peças essenciais foram retidas na alfândega por cerca de nove meses.

Autoridades argentinas explicaram que falhas procedimentais na renovação de acordo com a China impediram a continuidade do projeto. O governo não comentou se houve participação diplomática dos EUA na decisão. O telescópio, se concluído, seria o maior do tipo na América do Sul.

A ofensiva diplomática dos EUA busca evitar que projetos de pesquisas na região tenham uso militar. De Washington, foram reiteradas preocupações sobre possível rastreamento de satélites norte-americanos e comunicações com satélites chineses. A pressão já se refletiu em ações no Chile no ano passado.

O observatório Cesco foi concebido para mapear o nascimento de estrelas e galáxias distantes. A antena de grande porte, construída com participação de instituições argentinas e chinesas, está desativada e sem indicação de data para reativação.

Como parte de uma estratégia mais ampla, a China tem ampliado sua presença científica e econômica na região. Já existem instalações de cooperação com diferentes países latino-americanos, bem como acordos de uso de terrenos e facilidades. A retirada de peças de San Juan é vista por analistas como sinal da tensão.

A Embaixada chinesa em Buenos Aires classificou as ações americanas como tentativa de reprimir a China, destacando os benefícios científicos do projeto para ambos os países. Em Santiago, a Embaixada chinesa reagiu de forma similar ao interromper projetos no Atacama no ano passado.

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