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Na linha de frente da Ucrânia, zona de morte e armas novas que mudaram a guerra

Na zona de morte da linha de frente, drones redefinem o combate enquanto soldados mantêm posições estratégicas no Donbas diante do avanço russo

A member of the 93rd brigade checks the sky for drones in the frontline town of Kostyantynivka
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  • Um soldado da 93ª brigada ucraniana, conhecido como Kenya, passou 225 dias no front em Kostyantynivka, chegando a andar 11 km para retornar à brigada, evitando minas e drones.
  • A área ao redor de Kostyantynivka é um dos hotspots mais perigosos; as forças russas teriam alcançado as periferias da cidade, elevando a possibilidade de avanço em Donbas.
  • O conflito tem sido adaptado pela utilização de drones, reduzindo o papel da infantaria em batalhas diretas e tornando a defesa em zonas conhecidas como “kill-zone” essencial para manter território.
  • O abastecimento depende de entregas aéreas por drones, que muitas vezes são destruídos ou bloqueados, deixando suprimentos intermitentes, com água sendo uma das principais carências.
  • No front, mesmo com tecnologia, a presença de tropas no terreno continua sendo crucial para segurar posições, conforme relatos de Kenya e de outros soldados da linha de frente.

A frente de Kostyantynivka, na região de Donetsk, pacientes de guerra vivem sob o domínio de drones e uma linha de combate que mistura tecnologia e resistência humana. A 93ª brigada das Forças Armadas da Ucrânia defende a cidade contra o avanço russo, em uma zona que se tornou alvo de novos armamentos e táticas. O objetivo de Moscou é retomar o Donbas, com impacto direto sobre cidades importantes como Kramatorsk e Sloviansk, segundo autoridades ucranianas.

Um soldado da brigada, conhecido como Kenya, passou 225 dias em posição fixa, com dificuldade de caminhar. O militar conseguiu retornar à linha após percorrer 11 km em meio a minas e drones adversários, em uma operação de alto risco. Outros combatentes relatam que a maioria dos confrontos modernos ocorre com apoio de veículos aéreos não tripulados e ataques remotos, diminuindo o entra-nascar das tropas terrestres.

Especialistas observam que a guerra evoluiu para um cenário de “zona de morta” dominada por drones, onde o acaso de um ataque pode decidir o controle do território. As forças russas cresceram em presença na periferia de Kostyantynivka, mas a frente tem se mostrado lenta, com ganhos menos expressivos na Donbas, em comparação a meses anteriores.

Contexto estratégico

  • A Ucrânia afirma que a Rússia tem como meta avançar rapidamente no Donbas ainda neste ano, pressionando a linha de frente de diversas frentes.
  • Dados de monitoramento indicam que, em abril, a Rússia ganhou metade do território na Donbas em relação a março, mas registrou menor ritmo de consolidação em dezembro de 2025.
  • O Exército ucraniano sustenta que, para conter o avanço, está aumentando ataques a rotas logísticas russas.

Kenya descreveu a convivência com drones, que substituem de certa forma parte do combate direto. Ele explicou que as operações dependem de vigilância constante, com a necessidade de roupas de proteção contra câmeras térmicas que funcionam por breves períodos durante a noite. As armas conectadas por fibra óptica chegaram a entrar em posições de combate, mas não substituíram a necessidade de presença humana nas trincheiras.

Testemunhos de combate

Khani, outro integrante da 93ª brigada, relatou 122 dias na frente. Ele já enfrentou situações em que ataques de drones e explosões forçaram retirada de posições. Em uma ocasião, um drone ficou preso a um cabo de fibra óptica e acabou inutilizado ao ser atingido; a entrada da casa onde se abrigava foi então devastada por tropas inimigas, que procuravam surpreender os ocupantes.

A logística no front também passou por mudanças profundas. Com as rotas de suprimento cortadas, o abastecimento chega por meio de drones aéreos, cuja confiabilidade varia conforme as condições do céu e a possibilidade de interferência tecnológica. A escassez de água, alimentos e energia mentaliza a dificuldade de permanência em abrigo improvisado sob temperaturas extremas.

Desdobramentos recentes

  • A Ucrânia sinaliza que as operações de maior intensidade ocorrerão diante de eventuais ofensivas russas neste verão.
  • Observatórios de guerra indicam que ataques a rotas logísticas russas têm sido uma resposta para frear avanços na linha de frente.
  • A frente de Kostyantynivka permanece entre os pontos mais sensíveis da região, com o resultado que pode influenciar o equilíbrio de forças no Donbas.

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