- A guerra no Irã ameaça a conservação do guepardo asiático, a espécie de felino mais rara do mundo, com menos de 30 indivíduos silvestres estimados no Irã e apenas 16% de seu território anterior disponível.
- Em 2026 houve um sinal de esperança: uma fêmea chamada Helia foi fotografada com cinco filhotes, o maior ninhada já registrado para a subespécie, monitorada por pesquisadores.
- O acesso a áreas protegidas por ONGs desacelerou, dificultando monitoramento, captura de imagens e operações de campo, aumentando o risco de distúrbos e confusão com alvos militares.
- Sanções ocidentais prejudicaram atividades críticas, como monitoramento, aplicação de leis e infraestrutura favorável à vida selvagem, contribuindo para queda de presas e aumento da mortalidade por atropelamento.
- Especialistas alertam que a guerra e o financiamento limitado podem reduzir recursos para conservação após o conflito, dificultando a proteção dos guepardos e a recuperação de sua população.
O conflito em Irã está impactando esforços de conservação da onça-pintada asiática, a mais ameaçada do mundo. Especialistas dizem que a pressão bélica ameaça manter programações essenciais de monitoramento e proteção.
A subespécie Acinonyx jubatus venaticus, que já ocupou de península Arábica à Índia, hoje permanece em apenas 16% de seu território histórico, com estimativas apontando menos de 30 indivíduos livres na natureza no Irã. Antes do início da guerra, uma fêmea chamada Helia foi filmada com cinco filhotes no norte de Khorasan, o maior porte de ninhada já registrado para a subespécie.
O acesso a áreas protegidas por organizações não governamentais diminuiu bastante, dificultando o monitoramento de longo prazo e o uso de câmeras armadiladas. Há também receios de que veículos de conservação sejam confundidos com alvos militares nas áreas remotas de deserto onde a espécie vive.
Especialistas destacam a proteção de cientistas de campo, guardas de parques e povos indígenas durante conflitos armados como questão de interesse internacional emergente. A guerra não apenas impede atividades diretas, mas também agrava déficits de insumos e infraestrutura de conservação.
Além do impacto direto do combate, sanções ocidentais contra o Irã reduziram recursos para monitoramento, aplicação da lei e infraestrutura favorável à fauna. Estudos de 2025 apontaram queda na disponibilidade de presas e aumento de mortalidade de guepardos, em parte por atropelamentos em estradas.
Os atropelamentos respondem por grande parte das mortes registradas no Irã e aumentam com menor patrulhamento e fiscalização em áreas vulneráveis. Em 2023, uma fêmea grávida foi morta após colisão em uma rodovia no litoral de Semnan.
Restrições de importação também dificultam o acesso a tecnologias de conservação, como dispositivos satelitais e câmeras de monitoramento. A utilização de armadilhas fotográficas gerou controvérsia no passado, com prisões ocorridas envolvendo uma ONG local, em um contexto de desconfiança e sinalização de riscos.
Especialistas afirmam que o apoio internacional e a prioridade de recursos para a proteção da cheetah podem diminuir com a reconstrução pós-conflito, caso o foco nacional se concentre na infraestrutura. A defesa da vida selvagem permanece uma preocupação crítica para a comunidade científica, com a necessidade de manter equipes no terreno e mecanismos de monitoramento estáveis.
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