- Proliferação de guerras ao redor do mundo e duração média mais longa dos conflitos são apontadas como combinação particularmente preocupante pelo diretor-geral do CICV, Pierre Krähenbühl.
- O CICV lembra que o objetivo inicial era atuar rapidamente em emergências, mas hoje atua há décadas em áreas como Gaza, Colômbia e Líbano, com violações do direito humanitário em várias frentes.
- As doações caiu e há necessidade de diversificar fontes de financiamento; o orçamento de 2023 foi de 2,8 bilhões de francos suíços e, para este ano, de 1,8 bilhão de francos suíços.
- O papel de neutralidade do CICV é destacado como essencial para manter acesso e facilitar ações como repatriação de corpos e libertação de reféns, mesmo em conflitos na Ucrânia, Gaza, Sudão e Líbano.
- Fala-se ainda sobre o futuro do direito humanitário diante da combinação de combate físico e tecnológico, com uso de novas plataformas que podem borrar as linhas entre alvos civis e militares.
O diretor-geral do CICV, Pierre Krähenbühl, disse que a proliferação de guerras e sua duração crescente são sinais preocupantes para o direito humanitário. O alerta veio em meio a uma visita dele ao Brasil no fim de abril, como parte de esforços para diversificar fontes de financiamento.
Segundo Krähenbühl, não há apenas mais conflitos, mas também maior tempo de duração de cada um. Ele citou Gaza, Colômbia e Líbano entre exemplos de crises prolongadas que desafiam o papel de organizações humanitárias.
O CICV enfrenta queda de doações e busca novas fontes de financiamento. A declaração do dirigente coincide com o momento em que a organização tenta manter operações em diversos países, mesmo diante de restrições de recursos.
Proliferação de conflitos e violação do direito humanitário
O chefe do CICV apontou violações sistemáticas do direito internacional humanitário em Gaza, Ucrânia, Sudão, Irã e Líbano. A pergunta sobre a eficácia do direito é tema recorrente, diante de uma percepção de que a guerra voltou a ser opção aceitável para resolver disputas.
Krähenbühl lembrou que regras foram criadas por diplomatas e militares que viveram a Segunda Guerra Mundial. Ele enfatizou a importância de regras para evitar o sofrimento humano e apontou que, em muitos lugares, o direito é respeitado apenas em parte.
O relatório também destacou casos de atuação do CICV para facilitar libertações de reféns e repatriar corpos, ações previstas pelo direito internacional. Em Gaza e Israel, o CICV atua para promover acesso humanitário e proteger civis.
Finanças e sustentabilidade operacional
Entre 2023 e 2024, o CICV enfrentou dificuldades financeiras, com cortes de doadores, entre eles os EUA, que reduziram ou readequaram aportes. O orçamento de 2023 foi de 2,8 bilhões de francos suíços; o de 2024, de 1,8 bilhão.
A equipe do CICV tem passado por demissões e o órgão busca estabilizar a base de financiamento. Krähenbühl mencionou a intenção de diversificar fontes, incluindo diálogo com governos, como o Brasil, para ampliar a arrecadação.
A organização trabalha para manter neutralidade mesmo diante de crimes de guerra. Segundo ele, a neutralidade facilita o acesso a zonas de conflito e ajuda a negociar acordos de repatriação e libertação de civis, sem favorecer um lado.
Considerações sobre o futuro do direito humanitário
Krähenbühl comentou que o avanço tecnológico, com uso de drones e guerra digital, altera o campo de batalha. O desafio é evitar que novas tecnologias descriminem entre alvos civis e militares, mantendo as regras do direito internacional humanitário.
O dirigente destacou que o CICV atua há décadas em várias regiões, como Israel e territórios ocupados, Colômbia, Afeganistão, Sudão e Congo, sempre buscando manter acesso humanitário sob princípios de neutralidade e imparcialidade.
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