- Demolições de casas palestinas por Israel se aceleram na Cisjordânia oriental, com moradores obrigados a demolir seus próprios imóveis para evitar multas que podem chegar a dezenas de milhares de dólares.
- No bairro de Silwan, em Jerusalém Oriental, uma família recebeu ordem de demolição com prazo de 21 dias e enfrenta multas caso não demolir.
- A ONG B’Tselem aponta pelo menos 1.267 estruturas destruídas em 2025, em sua maioria sob o argumento de ausência de licenças de construção em áreas sob controle israelense.
- A autodemolição é descrita como violência psicológica que afeta a identidade, a dignidade e a memória familiar, segundo especialistas ouvidos pela imprensa.
- A ONU informou sinais de limpeza étnica na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e pediu medidas para impedir violações graves do direito internacional e genocídio.
Um relato sobre demolições de casas palestinas na Cisjordânia ganha novas evidências nesta edição. Em Jerusalém Oriental, moradores são pressionados a demolir seus imóveis com as próprias mãos, sob ordens da prefeitura, para evitar multas altas. Organizações de direitos humanos classificam a prática como forma de coerção extrema.
Na área de Silwan, um morador recebeu ordem de demolição por suposta construção irregular. Com apoio dos filhos, ele já derrubou parte do andar superior, enquanto familiares ainda residem no térreo, entre eles uma idosa de 97 anos. O caso ilustra o peso humano dessa pressão urbanística.
A ordem exige que o morador demolisse o imóvel em até 21 dias. Caso não o faça, multas significativas podem ser aplicadas. A situação desperta relatos de trauma profundo e de deterioração da saúde mental entre quem é forçado a destruir seu lar.
Dados de organizações de direitos humanos mostram que, em 2025, ao menos 1.267 estruturas palestinas foram demolidas na região, entre casas e espaços comunitários. A maior parte das demolições ocorre pela ausência de licenças, quase impossíveis de obter para palestinos.
Para a especialista em saúde mental Razzan Quran, a autodemolição implica violência psicológica severa, que afeta identidade, dignidade e memória familiar. O ato é visto como um conflito interno entre destruir o próprio bem ou enfrentar a destruição estatal e multas.
A prefeitura de Jerusalém Oriental sustenta a política de demolições como prática de segurança urbana, enquanto ONGs e observadores apontam para um padrão de deslocamento de moradores. A discussão envolve também a expansão de assentamentos e questões de direito internacional.
Na ONU, o Alto-Comissariado para Direitos Humanos apontou sinais de possível limpeza étnica na região, destacando demolições, deslocamentos e restrições de circulação. O relatório cobra medidas para prevenir violações do direito internacional e crimes de guerra.
Em Silwan, a família afetada encara não apenas a perda material, mas a ruptura de continuidade histórica. A mãe idosa e o filho autista enfrentam impactos que vão além do aspecto físico da casa, afetando rotinas e redes de apoio.
As demolições continuam, segundo monitoramentos de organizações como a B’Tselem, que registrou cerca de 1.267 unidades palestinas destruídas em 2025. Especialistas ressaltam a tendência de intensificação dessa prática.
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