- Três dos cinco vencedores regionais do Commonwealth Short Story Prize de 2026 são alvo de suspeitas de uso de inteligência artificial na autoria.
- A Granta publicou as cinco novas entradas no dia 12 de maio; logo surgiram dúvidas sobre a autenticidade de “The Serpent in the Grove”, do ganhador da região Caribe.
- A ferramenta Pangram classificou a história como 100% gerada por IA, e analyses independentes apontaram sinais de IA na escrita citada.
- Além do Caribe, dois outros ganhadores também enfrentam alegações: John Edward DeMicoli (Canadá e Europa) seria totalmente gerado por IA, e Sharon Aruparayil (Ásia) seria parcialmente gerado por IA.
- A Fundação Commonwealth e a Granta emitiram declarações defendendo o processo de avaliação e destacando limitações de ferramentas de detecção de IA, enquanto continuam avaliando as alegações.
O Commonwealth Short Story Prize, criado pela Commonwealth Foundation, teve três dos cinco vencedores regionais sob suspeita de uso de IA. A controvérsia envolve a obra The Serpent in the Grove, do jamaicano Jamir Nazir, reconhecida na região do Caribe.
A suspeita surgiu após leitores, inclusive escritores, questionarem sinais de autoria inautêntica na história premiada. A avaliação começou a ganhar força com análises de ferramentas de detecção de IA.
O caso ganhou repercussão quando a revista Granta publicou, em 12 de maio, as cinco finalistas de 2026, todas não unpublished, conforme as regras do concurso. A obra de Nazir chamou atenção nos primeiros dias de avaliação pública.
A ferramenta Pangram, usada por alguns para detectar IA, apontou a história como 100% gerada por IA. O WIRED confirmou a presença do resultado, que é contestado por especialistas em IA, dada a imperfeição dessas técnicas.
Nazir não respondeu a pedidos de comentário enviados por e-mail. Perfis associados a ele em redes sociais também apresentaram indícios de IA segundo Pangram, ainda que haja registros que comprovem a existência do autor.
A Fundação confirmou que não utiliza detectores de IA no julgamento e que as regras do concurso não mencionam IA. Razmi Farook, diretora-geral da instituição, ressaltou a confiança no processo de avaliação.
Sigrid Rausing, editora da Granta, disse que os editores não participam da seleção nem da escolha do júri do Commonwealth Prize. Ela reconheceu dúvidas sobre a geração de IA na obra e a inconclusão de testes com Claude, da Anthropic.
A Granta adicionou um aviso acima das cinco histórias vencedoras, destacando as incertezas sobre IA. Além de Nazir, outras obras também enfrentam acusações de uso de IA em diferentes estágios da seleção.
Um dos autores premiados na região Canadá e Europa, John Edward DeMicoli, é apontado como IA-gerado pela Pangram, enquanto Mehendi Nights, de Sharon Aruparayil, na região Ásia, seria parcialmente IA. Comentários sobre as obras não foram respondidos pelos autores.
Outras candidatas, Holly Ann Miller (Nova Zelândia) e Lisa-Anne Julien (África do Sul), teriam resultados considerados “totalmente humanos” pela Pangram. A controvérsia envolve ainda a participação de um juiz, Sharma Taylor, acusada de AI-assisted na descrição de divulgação de The Serpent in the Grove.
Especialistas e leitores têm destacado que o debate sobre IA atinge também áreas como ciência e literatura. O tema ressalta a importância de métodos confiáveis de verificação e da necessidade de regras claras em premiações futuras.
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