- Um documentário estreou em Cannes para resgatar a história dos seis guerrilheiros que seguiram Che Guevara, perseguidos por meses após a sua captura e morte na Bolívia, há sessenta anos.
- O diretor francês Christophe Dimitri Réveille dedicou vinte e dois anos para localizar sobreviventes, militares, agentes da CIA e testemunhas entre Cuba, Bolívia e França.
- Os guerrilheiros fugiram por 2.400 quilômetros por montanhas, florestas e povoados hostis; três deles chegaram a Havana com ajuda do então presidente francês Charles de Gaulle.
- Para contar episódios sem imagens, o filme recorre à animação, inclusive para retratar a morte de “Ñato”, gravemente ferido e morto por um companheiro.
- O documentário evita glamourizar Che ou a guerrilha, enfatizando que a verdade é plural e que o mito persiste pela imagem de um jovem que morreu por ideais.
Seis décadas após a morte de Che Guevara na Bolívia, Cannes recebe um documentário que resgata a história dos últimos companheiros de armas, perseguidos após a captura e execução do guerrilheiro argentino. O projeto é assinado por Christophe Dimitri Réveille, pesquisador que dedicou 22 anos ao tema. A obra estreou no Festival de Cannes, fora de competição.
O filme foca nos seis guerrilheiros que sobreviveram à emboscada de 1967 e enfrentaram uma fuga de 2.400 quilômetros por montanhas, florestas e povoados hostis. Entre eles estavam os cubanos Dariel Alarcón, Harry Antonio Villegas e Leonardo Tamayo, além de três bolivianos identificados como Darío, Ñato e Inti. O objetivo era retornar a Cuba para informar Fidel Castro sobre a derrota.
Para reconstruir episódios sem imagens, Réveille recurrou à animação, incluindo a morte de Ñato, gravemente ferido e executado por um companheiro, conforme o enredo do grupo. O diretor afirma que a história dos anônimos é parte essencial da revolução, quase sempre esquecida nos relatos oficiais.
Reconstituição e perspectiva histórica
O documentário evita apresentar Che Guevara como figura idealizada e traz uma visão crítica sobre o episódio. Réveille destaca que a verdade é plural e que, apesar da violência associada, o líder escolheu a luta pelos oprimidos. O projeto ouviu ex-guerrilheiros, militares bolivianos e ex-agentes americanos que acompanharam a perseguição.
A produção lembra que a imagem de Guevara contribuiu para o mito ao morrer jovem, impulsionando a memória do movimento. A apresentação em Cannes gerou sentimentos ambíguos, já que muitos entrevistados não estiveram vivos para ver o filme pronto. Réveille afirma que, mesmo assim, a história dos sobreviventes não ficará esquecida.
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