- A China atingiu a meta de adicionar 1.200 GW de capacidade de energia eólica e solar à rede até 2030, cinco anos antes do previsto.
- Hoje, a energia gerada por parques eólicos e solares já representa um quarto da produção nacional, e o país produz mais de oitenta por cento dos painéis fotovoltaicos do mundo.
- Entre janeiro e fevereiro de 2026, a China adicionou cerca de 20 GW de capacidade a carvão, quase a metade do volume de novas renováveis nesse período.
- O plano quinquenal mais recente não traz metas claras para reduzir o carvão, com linguagem mais conservadora e influência do lobby do combustível fóssil.
- As emissões de CO₂ caíram 0,3% em 2025; fontes limpas e nuclear acompanham o aumento da demanda, enquanto a expansão de renováveis deve crescer até 2030.
A China acelera o uso de energia limpa, ampliando drasticamente a participação de solar e eólica na matriz elétrica. Hoje, parques eólicos e solares já respondem por cerca de um quarto da geração de energia no país, espalhados por montanhas, desertos, telhados e áreas costeiras.
O avanço é acompanhado de metas ambiciosas. A China atingiu, cinco anos antes do previsto, a meta de adicionar 1.200 GW de capacidade eólica e solar à rede até 2030. Também domina a produção de mais de 80% dos painéis fotovoltaicos do mundo, reduzindo custos globais.
Segundo especialistas, o principal motor dessa expansão foi a aposta em reduzir a dependência de petróleo e gás importados. Pequim investiu cedo em veículos elétricos e baterias, elevando as vendas de automóveis livres de combustíveis fósseis para mais da metade do total, frente a 19% na UE.
Apesar dos avanços, o carvão não foi eliminado. A China continua sendo o maior emissor de CO2 e mantém a exploração de grandes reservas de carvão para garantir autonomia energética. Em janeiro e fevereiro de 2026, foram adicionados 20 GW de capacidade a carvão, quase metade do que entrou em renováveis no mesmo período.
Plano quinquenal e metas climáticas
O novo plano quinquenal procura equilibrar carvão e renováveis. Em 2015, o país aderiu ao Acordo de Paris, com metas de pico de emissões até 2030 e neutralidade até 2060. Analistas apontam falta de metas explícitas de redução do consumo de carvão no 5YP.
Embora Xi Jinping tenha prometido detalhar reduções no uso de carvão no período 2026-2031, o texto divulgado até março não traz estratégia clara de redução gradual nem limite para combustíveis fósseis. A influência do lobby do carvão é lembrada por especialistas.
O governo descreve a ampliação de energia limpa como base do sistema energético futuro, com usinas de carvão modernas servindo como reserva flexível. Ainda assim, não há especificação de escala para as renováveis no plano.
Emissões e perspectivas
Mesmo com dúvidas sobre a conformidade com Paris, sinais apontam para desaceleração no crescimento das emissões de CO2 em 2025, com queda de 0,3% frente a 2024. Fontes limpas teriam invertido o crescimento das emissões pela primeira vez, segundo análises independentes.
A produção de energia solar subiu 43% entre 2024 e 2025, enquanto fontes de baixo carbono seguem acompanhando o aumento da demanda. A Agência Internacional de Energia destaca que o custo da energia limpa deve sustentar esse movimento até 2030.
Analistas consideram que o pico de carvão e emissões pode ter chegado, ainda que haja cautela sobre a velocidade da transição. A expansão renovável continua sendo central na estratégia econômica chinesa, com foco também na exportação de tecnologia limpa.
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