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Brasil, Noruega e Holanda buscam o primeiro corredor marítimo verde do Atlântico

Brasil, Noruega e Holanda lançam estudo de viabilidade de corredor marítimo verde no Atlântico Sul, ligando Europa ao Brasil, com custos superiores e infraestrutura por adaptar

contêiner, porto, cais — Foto: Pixabay
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  • Brasil, Noruega e Holanda apresentaram um estudo de viabilidade técnica e econômica para um corredor marítimo verde no Atlântico Sul, ligando a Europa ao Brasil, com a rota Vila do Conde (Pará) a Karmøy (Noruega) como principal.
  • O estudo identifica três rotas prioritárias: Vila do Conde–Karmøy, Santos–Rotterdam e Pecém–Rotterdam, com foco em hidrogênio verde, amônia verde e metanol verde.
  • Custos estimados para operar com biodiesel, amônia verde ou metanol verde variam entre 43% e 109% acima da operação fóssil; biodiesel é o mais imediato, pois pode ser usado sem adaptações.
  • A regulamentação internacional da Organização Marítima Internacional (Net-Zero Framework) pode aumentar a adoção de combustíveis limpos, reduzindo o custo adicional esperado até 2040 (biodiesel: 8%, amônia: 27%).
  • O trio busca complementaridade: Brasil traz matriz renovável; Noruega, tecnologia marítima; Holanda, infraestrutura de Rotterdam; prevê-se ainda, em 2026, edital conjunto de P&D de cerca de R$ 450 milhões com a Finep para tecnologias da rota.

Brasil, Noruega e Holanda apresentaram, na Embaixada da Noruega em Brasília, o estudo de viabilidade de um corredor marítimo verde no Atlântico Sul. O objetivo é conectar o Brasil à Europa com rotas de baixo carbono, usando águas profundas.

O documento, encomendado pela DNV e assinado um memorando em 2025, resulta de cooperação entre Brasil, Noruega e, desde 2026, os Países Baixos. O estudo aponta três rotas prioritárias para descarbonizar o transporte entre as regiões.

A rota Vila do Conde (PA) a Karmøy (Noruega) é a mais emissora, respondendo por grande parte das emissões bilaterais. Em seguida, Santos a Rotterdam e Pecém a Rotterdam completam as opções, com foco também na exportação de hidrogênio verde e ferro verde.

Para cada trajetória, o estudo avalia três combustíveis de emissão líquida zero: biodiesel, amônia verde e metanol verde. A operação com emissão zero ainda custa entre 43% e 109% a mais que a convencional, segundo a análise.

O biodiesel aparece como vantagem imediata, por ser compatível com motores atuais. Em Vila do Conde–Karmøy, o custo total estimado entre 2026 e 2040 é de US$ 252 milhões, versus US$ 176 milhões da operação fóssil. A amônia atinge US$ 291 milhões, com alta dependência de navios novos.

Aviagem com metanol verde fica 109% acima da linha de base, segundo o estudo. A avaliação reforça que o marco regulatório da IMO favorece cenários de transição, com metas e multas que elevam o custo de emissões para a frota atual.

A parceria é marcada pela complementariedade: Brasil traz matriz elétrica renovável e polos portuários; Noruega oferece tecnologia marítima e exemplos de baixa emissão; Holanda contribui com infraestrutura de Rotterdam e know-how em energias alternativas.

Segundo a secretária de Estado do Clima da Noruega, a colaboração reforça a descarbonização global e ajuda na viabilidade econômica. O principal desafio citado é a necessidade de um modelo de negócios estável para atrair investimentos.

O gargalo identificado envolve o mercado spot de graneleiros, com pouca previsibilidade de contratos de longo prazo. O estudo recomenda consórcios entre armadores, produtores, portos e governos, além de acordos de compra de longo prazo.

Do lado brasileiro, o diretor do Ministério de Portos e Aeroportos enfatizou que o entrave não está na ausência de investimento, mas na coordenação regulatória e de planejamento. Uma lei específica para combustíveis de navegação fica como etapa pendente.

Ainda neste ano, as três nações devem lançar um edital conjunto de P&D, em parceria com a Finep, com orçamento de cerca de R$ 450 milhões, para pesquisas em combustíveis e tecnologias da rota.

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