- A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã está elevando a fome global, colocando 363 milhões de pessoas em risco de fome aguda.
- O financiamento para combater a fome caiu cerca de um terço no último ano, com os EUA — o maior contribuinte — cortando sua doação pela metade.
- O Programa Mundial de Alimentos precisou cortar programas de emergência e reduzir equipes, incluindo a demissão de cerca de 5 mil funcionários no Afeganistão.
- Dois famines foram declarados em 2025, em Gaza e no Sudão; o preço do petróleo acima de US$ 100 agrava o custo de alimentos e transporte.
- Tensões regionais e bloqueios de rotas de ajuda dificultam a entrega de assistência, com 85 mil toneladas retidas na fronteira do Paquistão antes de possíveis redirecionamentos.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã continua a piorar a crise global de fome. O Programa Alimentar Mundial (WFP) afirma que 363 milhões de pessoas estão em risco de fome aguda, com 45 milhões diretamente ligados ao conflito no Oriente Médio e ao aumento do preço do petróleo. A situação ocorre em um momento de queda drástica na mobilização de recursos.
O WFP aponta que a redução de financiamento no ano passado, de cerca de 40%, impactou equipes e operações em diversos países. A organização já precisou cortar programas de apoio à população em emergências alimentares para manter ações em áreas de fome catastrófica.
Carl Skau, diretor executivo interino do WFP, destaca que a escassez de recursos forçou demissões, principalmente no Afeganistão e no Iêmen. Em 2025, houve redução expressiva de pessoal e de suporte a milhões de pessoas vulneráveis.
Impactos de curto prazo no financiamento
Contribuições de doadores caíram de US$ 9,8 bilhões em 2024 para US$ 6,5 bilhões em 2025. O financiamento dos EUA caiu de US$ 4,4 bilhões para US$ 2,1 bilhões. O Reino Unido também reduziu contribuições, de US$ 610 milhões para US$ 435 milhões.
A projeção de necessidade de recursos para 2026 é de US$ 13 bilhões, mas, até agora, apenas cerca de US$ 2,8 bilhões foram recebidos. O repasse menor agrava a capacidade de resposta do WFP a crises agudas em várias regiões.
Desafios logísticos e geopolíticos
O aumento do preço do petróleo eleva os custos de transporte e exportação de alimentos, pressionando a disponibilidade de rações e suprimentos. Além disso, restrições em rotas de ajuda, como fechamentos de fronteiras, dificultam a entrega de mantimentos a regiões atingidas.
A crise energética também eleva a inflação de alimentos, reduzindo o poder de compra de famílias vulneráveis. Em alguns locais, a energia sobe mais de 30%, o que reduz ainda mais a parcela de renda destinada à alimentação.
Cenários de continuidade e fome prolongada
A guerra afeta medidas de mitigação, aumentando o risco de fome prolongada em áreas onde a logística já é precária. A WFP relata que muitos países dependem de rotas alternativas, que são mais caras e demoradas.
A organização cita ainda que a continuidade do conflito e o fechamento de vias de suprimento podem comprometer a disponibilidade de fertilizante no leste da África, impactando a produção futura e o abastecimento de alimentos.
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