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Irã aposta no custo da guerra para Trump e joga com o tempo, diz professor

Irã usa desgaste da negociação para ganhar tempo, mira reabertura do Estreito de Ormuz e alívio de sanções, pressionando os EUA próximo às eleições

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  • Irã anunciou retirada da mesa de negociação após ataques de Israel no Líbano, conforme análise de Feliciano de Sá Guimarães, da USP, como estratégia para ganhar tempo nas tratativas com os EUA.
  • O professor aponta que a tática iraniana é postergar ao máximo as negociações, explorando a impaciência de Donald Trump, a proximidade das eleições legislativas americanas e o custo doméstico de uma guerra.
  • Entre os desdobramentos considerados, o Irã busca reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz, com tráfego marítimo normalizado, reduzir ou suspender parcialmente o bloqueio naval dos EUA, obter alívio econômico e retomar as exportações próximas aos níveis pré-guerra.
  • Também há objetivo de retirar tropas americanas da região, movimento que Feliciano vê como improvável de ocorrer.
  • Os EUA continuam pressionando pela resolução da questão nuclear, incluindo o destino dos 400 kg de urânio enriquecido; para o especialista, normalizar o Ormuz sem fim das tropas seria uma derrota estratégica para Estados Unidos e Israel.

O Irã mantém estratégia de postergar as negociações com os EUA ao explorar o desgaste público e o calendário político americano. A leitura é compartilhada por Feliciano de Sá Guimarães, professor de Relações Internacionais da USP, que analisa o momento após ações militares de Israel no Líbano terem sido acompanhadas pela retirada iraniana da mesa de negociação.

Segundo o especialista, a decisão de suspender o diálogo faz parte de uma estratégia para estender o tempo até que as condições brasileiras de barganha aumentem. O objetivo é explorar a impaciência de Washington, o viés eleitoral de meio de mandato nos EUA e o custo político interno da guerra.

A leitura de Feliciano aponta três pilares para o desgaste: manter a pressão militar, ao mesmo tempo em que o Irã busca ganhar fôlego para ajustar propostas. O analista destaca que o Irã pode tentar reabrir o Estreito de Ormuz sob controle parcial, reduzir sanções ou destravar ativos financeiros para avançar seus interesses.

Estratégias em jogo

O Irã também sinaliza a retirada de tropas americanas de áreas próximas, o que o professor vê como objetivo de longo prazo que dificilmente será alcançado sem acordo nuclear. Enquanto isso, os EUA pressionam pela resolução do programa nuclear, incluindo o destino do urânio enriquecido já existente no país.

Para Washington, a luz verde para um acordo dependeria de avanços consistentes na verificação nuclear e de garantias sobre a retirada de bases e forças dos arredores. O debate envolve também a viabilidade de normalizar atividades comerciais internacionais de Teerã e a possível retomada das exportações do país.

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