- Tribunal queniano manteve a suspensão de um centro de quarentena para ebola proposto pelos Estados Unidos em Nanyuki por mais três semanas, após protestos que deixaram dois mortos.
- A Justiça determinou que o governo divulgue todos os acordos e protocolos operacionais relacionados ao projeto, com nova audiência marcada para 23 de junho.
- O plano prevê uma unidade de 50 leitos na base aérea para receber americanos expostos ao vírus na República Democrática do Congo ou em Uganda.
- Mesmo com a suspensão, aeronaves militares dos EUA continuaram a transportar pessoal e equipamentos para o local nos últimos dias.
- O presidente do Quênia, William Ruto, defendeu a instalação como parte de um plano nacional de emergências sanitárias e de uma parceria de longa data com Washington, após anúncio de apoio financeiro dos EUA no valor de US$ 13,5 milhões.
O tribunal queniano decidiu manter, por mais três semanas, a suspensão do centro de quarentena para ebola apresentado pelos Estados Unidos. A medida foi estendida para evitar que a instalação seja implementada antes do julgamento do caso. A Justiça também determinou que o governo torne públicos os acordos com Washington.
A proposta prevê uma unidade de 50 leitos em uma Base Aérea de Nanyuki, no centro do Quênia, para receber americanos expostos ao vírus na RDC ou em Uganda. A iniciativa gerou protestos no país, com cidadãos acusando os EUA de transferir riscos sanitários aos quenianos.
Na audiência desta terça, a juíza Patricia Nyaundi, da Alta Corte, proibiu o governo de avançar com a construção ou operação da instalação até o veredito final. O governo tem sete dias para apresentar todos os acordos e protocolos operacionais relacionados ao projeto. Nova audiência ficou marcada para 23 de junho.
Centenas de pessoas protestaram em Nanyuki na segunda-feira. O organizador Patrick Wahome disse que duas pessoas foram mortas por disparos da polícia; outra fonte confirmou as mortes, sem confirmar a causa. A polícia afirmou não ter conhecimento das mortes.
O presidente do Quênia, William Ruto, defendeu, na segunda-feira, o acordo com os EUA, descrevendo o centro como parte de um plano nacional de preparação para emergências sanitárias. Washington anunciou, recentemente, US$ 13,5 milhões para apoiar os esforços quenianos no combate ao ebola.
Ruto afirmou que o centro atenderia tanto quenianos quanto estrangeiros, embora autoridades americanas não tenham confirmado esse ponto. O governo dos EUA não respondeu a pedidos de comentário até o momento.
Protestos ocorreram enquanto o surto de Bundibugyo, variante de ebola, permanece no leste da RDC, com casos também em Uganda. A OMS registra 321 casos confirmados e 116 suspeitos na RDC, com 48 mortes, além de 15 casos em Uganda.
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