- O ministro Mauro Vieira afirmou que o governo dos Estados Unidos ignorou argumentos brasileiros nas duas investigações que resultariam em novas tarifas ao Brasil.
- Vieira relatou ao Estadão como foi a conversa com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA (USTR), em Paris, antes de uma plenária da OCDE.
- As investigações, com base na Seção 301, recomendam tarifas de 25% por práticas desleais e 12,5% por não coibir trabalho forçado na cadeia produtiva.
- O governo Lula vê as medidas como decisão política dos EUA e ameaça, e afirmou que ainda há espaço para negociar.
- Vieira citou exemplos que, na visão brasileira, deveriam ser considerados, como o desmatamento e o Pix, defendendo redução de tarifas diante dos avanços ambientais.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo norte-americano desconsiderou os argumentos do Brasil ao responder às duas investigações comerciais que resultaram em propostas de tarifas. A declaração foi dada ao Estadão, na véspera de encontro com o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA (USTR).
Os EUA propuseram medidas de taxação sobre produtos brasileiros, com consulta pública aberta até julho. As duas apurações utilizam a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA e podem embasar a retomada do tarifaço, que havia sido temporariamente substituído por uma tarifa global de 10%.
Vieira disse que mencionou ao embaixador o prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Lula e Trump para buscar soluções, e afirmou que isso obriga o Brasil a intensificar os esforços para normalizar a relação econômica. Greer indicou que ainda há espaço para negociação, segundo o chanceler.
Ponto de vista e próximos passos
A primeira investigação acusa o Brasil de práticas desleais no comércio digital, no Pix, na proteção de propriedade intelectual, no desmatamento ilegal, em tarifas preferenciais a México e Índia e no acesso ao mercado de etanol. A segunda enfatiza falhas em políticas contra o trabalho escravo, com alegações sobre impactos na competição.
Vieira destacou que as recomendações do USTR não consideram a realidade brasileira, citando desmatamento e etanol como exemplos. O chanceler ressaltou avanços do Brasil sob o governo Lula no enfrentamento do desmatamento, com queda expressiva na área desmatada na Amazônia Legal em comparação a 2022. Ele também citou dados de MapBiomas sobre o menor desmatamento nos seis biomas no ano anterior.
A interlocução entre Brasil e EUA ocorre em meio a tensão causada pela possível reintrodução de tarifas, em meio a debates sobre medidas de fiscalização e políticas públicas. O governo brasileiro continua avaliando opções para preservar o equilíbrio comercial sem prejudicar setores estratégicos.
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