- Lula e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, conversaram por videoconferência em 10 de junho e reafirmaram o princípio da não ingerência.
- Brasil e México foram alvo de medidas dos Estados Unidos contrárias à legislação interna, incluindo a classificação de cartéis e organizações criminosas como terroristas.
- O Ministério das Relações Exteriores destacou o compromisso com o multilateralismo, o direito internacional, a democracia e a não ingerência, sem mencionar os EUA.
- Os dois países apoiam o fim do embargo a Cuba e demonstraram preocupação com a grave situação humanitária no país caribenho.
- Na agenda bilateral, trataram de cooperação energética (biocombustíveis e possível acordo entre Petrobras e Pemex), saúde, turismo e inovação, e combinaram realizar a VI Reunião da Comissão Binacional México–Brasil em breve.
Lula e Claudia Sheinbaum conversaram por videoconferência nesta quarta-feira, 10 de junho. O encontro ocorreu no Brasil e no México, com foco no princípio da não ingerência em assuntos internos. As informações foram recebidas por meio de nota do Itamaraty.
Segundo o comunicado, Lula e Sheinbaum reiteraram a importância do multilateralismo, do direito internacional e da democracia. O texto não cita explicitamente os Estados Unidos, embora o contexto envolva medidas anunciadas por Washington contrárias à legislação interna de ambos os países.
O governo americano classificou o PCC, o CV e cartéis mexicanos como organizações terroristas na última sexta-feira, 5 de junho. A medida foi usada para justificar operações no território mexicano sem autorização do Governo mexicano, o que gerou tensão entre os dois países.
A presidente mexicana já havia criticado publicamente, em abril, a participação de autoridades americanas em operação antidrogas em Chihuahua. Em relação à Cuba, Lula e Sheinbaum reiteraram apoio ao fim do embargo e manifestaram preocupação com a crise humanitária no país.
Cooperação entre Brasil e México
A conversa, de cerca de 40 minutos, também tratou da agenda bilateral, especialmente no setor energético, incluindo biocombustíveis e um potencial acordo entre Petrobras e Pemex. Outros temas foram saúde, turismo, governança pública e inovação.
Foi destacada a atuação conjunta em áreas científicas e tecnológicas, com ações previstas para fortalecer setores de ambas as nações. Os presidentes combinaram realizar em breve a VI Reunião da Comissão Binacional México–Brasil, ainda sem data definida.
Os mandatários também apoiaram a candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas. Por fim, Lula desejou sucesso a Sheinbaum na organização da Copa do Mundo, que começa no dia 11 de junho.
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