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Financiamento reduzido e leis repressivas aumentam o risco de HIV, diz UNAIDS

Cortes de financiamento e leis repressivas elevam risco de ressurgimento da epidemia de HIV, com queda de testagem e tratamento, alerta UNAids

UNAids executive director, Winnie Byanyima, said cases would likely rise as people were unable to be diagnosed or treated due to cuts.
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  • A UNAids alerta que crise de financiamento e repressão aos direitos humanos aumentam o risco de uma nova epidemia de HIV, representando a maior ruptura desde o início da resposta global à doença.
  • No último ano, houve 570 mil mortes relacionadas à Aids e 1,2 milhão de novos casos de HIV.
  • O financiamento de ajuda caiu cerca de 23%, e os testes de HIV recuaram 22% em 2025; serviços de prevenção também foram muito afetados, com apenas 11% do gasto com HIV indo para prevenção em 2024.
  • Houve aumento de leis mais restritivas ao sexo entre pessoas do mesmo sexo em vários países, o que dificulta o acesso a serviços e pode fazer quem precisa buscar tratamento ficar sem atendimento; em Uganda, por exemplo, houve restrições a organizações da sociedade civil.
  • Organizações comunitárias que oferecem serviços-chave estão desaparecendo (redução de até 85% para homens que têm sexo com homens e 82% para trabalhadores sexuais); há novas opções de prevenção, como a dose injetável lenacapavir, mas é preciso ampliar o acesso.

A fundação global da resposta ao HIV enfrenta riscos crescentes devido a cortes de financiamento e ao endurecimento de leis de direitos humanos, alerta a UNAids. Winnie Byanyima, diretora executiva da agência, diz que isso representa a maior ruptura desde o início da resposta ao HIV.

O relatório da UNAids aponta que, apesar de quedas históricas em mortes por AIDS e em novas infecções, o avanço pode retroceder se não houver retomar de compromissos. No ano passado, foram registradas 570 mil mortes relacionadas à AIDS e 1,2 milhão de novas infecções.

Observa-se queda brutal na ajuda internacional: cerca de 23% a menos em 2025. Nesse contexto, a testagem para HIV caiu 22% em países com os maiores índices da doença, agravando o diagnóstico tardio e a transmissão.

A crise de financiamento também afetou serviços de prevenção, como distribuição de preservativos e acesso a antirretrovirais. Em 2024, esses serviços recebiam apenas 11% do gasto com HIV em países de baixa e média renda, segundo o relatório.

Além disso, o aumento de leis restritivas contra a população LGBTQIA+ é destacado como ameaça à epidemia. Organizações comunitárias, que fornecem serviços a grupos de alto risco, enfrentam retração de operações e de apoio financeiro externo.

Desafios e impactos

A diretora aponta que novas opções preventivas, como uma droga injetável semestral, podem ajudar, desde que ampliadas e escaladas. O relatório cita o risco de surgimento de novas infecções e de mortes por atraso no tratamento.

Contexto político e institucional

O documento ressalta ainda que cortes de financiamento interno não compensam a perda externa, mantendo a tendência de menos investimentos em prevenção. A UNAids também sofre com pressões orçamentárias e discussões sobre seu papel futuro.

Perspectivas e próximos passos

Byanyima afirma que um grupo de trabalho apresentará propostas à diretoria em outubro. O objetivo é manter um programa conjunto menor, porém mais disperso, com núcleo de liderança dentro das Nações Unidas.

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