- O Unaids alerta que cortes na ajuda internacional colocam a luta contra o HIV em risco, com queda de 90% nos recursos para distribuição de preservativos e 80% para programas de prevenção.
- Entre 2024 e 2025, o número de pessoas que tomam a PrEP caiu cerca de 38% em cerca de sessenta países analisados.
- O relatório aponta que, no ano passado, 570 mil pessoas morreram de AIDS e 1,2 milhão foram infectadas, números ainda sem refletir totalmente o impacto dos cortes de ajuda.
- As tendências regionais variaram: América Latina registrou alta de 13% em novas infecções; Oriente Médio e Norte da África, 77% de aumento; Caribe, Europa Ocidental/Central e América do Norte reduziram.
- Mais de cinquenta países decidiram ampliar recursos por conta própria, incluindo Brasil, Chile, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Peru e Equador; Byanyima afirmou que isso não compensa a queda de recursos internacionais.
A queda da ajuda internacional ameaça a luta global contra o HIV, segundo o Unaids. O relatório aponta cortes significativos que desorganizam programas de prevenção e tratamento, colocando décadas de avanços em risco. A agência descreve a situação como a mais grave desde o início dos esforços globais.
Winnie Byanyima, diretora-executiva do Unaids, disse à AFP que a redução de recursos coloca “em perigo” a resposta à doença, devido a cortes repentinos na ajuda externa. Países desenvolvidos, especialmente os Estados Unidos, Alemanha, França e Reino Unido, reduziram seus aportes, afetando ONGs e ações de prevenção.
Em 2024-2025, o relatório mostra impactos concretos: a adesão à PrEP caiu 38% em cerca de 60 países analisados, e os recursos para distribuição de preservativos caíram 90%. Além disso, o financiamento para programas de prevenção recuou 80%.
Cenário regional e responsabilidade
O Unaids destaca que, entre 2010 e 2025, novas infecções por HIV variaram conforme região. América Latina registrou alta de 13%, Europa Oriental e Ásia Central, 15%, e Oriente Médio e Norte da África, 77%. Caribenhos reduziram 30%, e Europa Ocidental, Europa Central e América do Norte, 13%.
Desde o colapso da ajuda internacional, mais de cinquenta países anunciaram iniciativas próprias para ampliar recursos. Entre os latino-americanos, Brasil, Bolívia, Chile, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Peru e Equador se comprometeram a reforçar prevenção e tratamento com financiamento local.
Avanços terapêuticos
O relatório cita o lenacapavir, novo medicamento desenvolvido pela Gilead, com eficácia prolongada tanto na prevenção quanto no tratamento. O caso aponta que o acesso permanece concentrado em países mais desenvolvidos, destacando desigualdades de implementação.
O Unaids aponta que os números de mortes por Aids e de novas infecções ainda caem, mas ressalta que a redução de recursos internacionais não será suficiente para manter essa trajetória. Autoridades pedem maior estabilidade financeira global para a resposta à doença.
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