- Max Mara celebrou 75 anos com desfile em Shanghai, no Long Museum, homenageando códigos estéticos chineses com botões pankou, cheongsams e jaquetas de linha com golas altas.
- O casting foi quase exclusivamente de modelos locais, acompanhando a tendência guochao, que valoriza a identidade cultural na moda.
- A presença de Eileen Gu, atleta chinesa-americana, marcou a primeira fila do evento.
- A marca mantém relação de três décadas com a China, com 27 lojas apenas em Shanghai, e a China responde por cerca de um quarto do consumo mundial de luxo.
- Os responsáveis pela grife trabalharam com consultas prévias para evitar apropriação cultural, enfatizando respeito às referências e ao relacionamento com o país.
Max Mara celebrou o 75º aniversário da marca com um desfile em Shanghai, destacando a ligação entre a grife italiana e o estilo chinês. O evento ocorreu na Long Museum, como parte da nova dianteira da casa no mercado chinês.
O show apresentou referências da estética local, com botões knotted silk pankou, vestidos inspirados em qipao e casacos com abas que lembram colarin. A paleta e os cortes traduziram códigos chineses para o rosto da marca.
A montagem buscou equilibrar tradição e modernidade, mantendo a assinatura de casacos de camel e inserindo toques de cor na prática de design. O desfile privilegiou uma estética sobriedamente contemporânea.
Guochao e a aposta na indústria local
A apresentação foi quase integralmente formada por modelos locais, alinhando-se ao movimento guochao, que aponta para consumo de moda com identidade cultural. O público incluiu a atleta Eileen Gu, em destaque na primeira fila.
Em termos de estratégia, a Max Mara reforça presença de longa data na China, com lojas há 33 anos e 27 boutiques em Xangai, refletindo a importância do país para o segmento de luxo global. O mercado chinês continua a responder positivamente à recuperação pós-pandemia.
O objetivo da marca é acompanhar a ascensão da clientela chinesa, que representa uma parcela relevante do gasto mundial com luxo. No contexto, a marca busca mostrar que o vestuário de qualidade pode dialogar com a cultura local sem perder a identidade internacional.
Contexto e tendências
O desfile integra a estratégia de posicionamento da Max Mara no país, ao lado de colaborações culturais recentes, como fornecimento de figurinos para produções chinesas. A grife reforça o eixo entre elegância prática e empoderamento feminino, sem associar moda a tendências passageiras.
Conforme o criador Ian Griffiths, a marca busca afastar a imagem de peça apenas segura, propondo um repertório que combine tradição com toque contemporâneo. A expectativa é de que o movimento guochao favoreça escolhas mais individualizadas entre consumidoras chinesas.
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