- Na COP 30 em Belém, houve avanços nas negociações de adaptação com participação social, destacando a Visão Belém-Addis (BAV) e os Indicadores de Belém (BAI).
- O BAV busca desenvolver uma metodologia para medir a adaptação; os BAI são os indicadores que precisam ser testados, refinados e validados.
- Em Bonn, na SB64, a discussão central foi como operacionalizar a testagem dos indicadores, com a criação de uma força-tarefa técnica dentro do BAV.
- Existe forte mobilização para triplicar o financiamento para adaptação (G77+China), enquanto países desenvolvidos contestam a natureza vinculante desse compromisso.
- O desfecho depende de inserir financiamento e mecanismos de implementação no texto final do Global Goal on Adaptation (GGA), especialmente no BAR e no BAV, para atender aos países mais vulneráveis.
Na COP 30, Belém avançou em negociações de adaptação climática, com participação social articulada e financiada. O foco esteve na Visão Belém-Addis (BAV) e nos Indicadores de Belém (BAI), núcleo técnico do Global Goal on Adaptation (GGA).
A discussão atual, em Bonn, na SB64, envolve como operacionalizar a testagem dos indicadores. A resposta depende da força-tarefa técnica que será criada dentro do BAV, definindo mandato e composição.
Além disso, observa-se menor presença da sociedade civil na SB64, o que preocupa quem acompanha as negociações. Sem pressão efetiva, o ritmo das decisões tende a se tornar mais moroso, com impactos para a agenda de adaptação.
Na COP 30, países do G77+China defenderam a triplicação do financiamento para adaptação, incluindo esse compromisso nos textos do GGA, BAR e BAV. Para esses países, o financiamento público previsível é central para cumprir o princípio da adaptação.
Países desenvolvidos, especialmente a UE, contestam a natureza vinculante da triplicação e questionam se o tema deve constar nos textos técnicos. A divergência é vista como um risco de esvaziamento político do compromisso assumido.
A segunda semana em Bonn deve esclarecer se o BAR e o conjunto do GGA vão articular explicitamente implementação e financiamento. O desfecho é visto como um indicador de avanço político ou de dificuldade de implementação.
Para os países mais vulneráveis, o resultado envolve acesso aos recursos e aos mecanismos necessários para enfrentar impactos climáticos presentes e em ascensão. O que for decidido terá consequências diretas na proteção de populações.
O papel da participação social
- A participação social, promovida pela presidência brasileira, foi destacada como elemento decisivo para ampliar o diálogo durante a COP 30.
- A redução da presença de organizações da sociedade civil na SB64 preocupa observadores, que apontam para maior distância entre as negociações e a sociedade.
- Desafios logísticos, como custos de viagem e o contexto de conflitos internacionais, são citados como entraves à participação do Sul global.
Desfecho esperado
- A depender da construção do GGA, pode haver avanço na linguagem sobre financiamento nos textos BAR e BAV.
- A ausência de consenso nesse ponto pode dificultar a implementação efetiva das medidas de adaptação acordadas.
- O diálogo permanece centrado em como medir progresso, definir responsabilidades e assegurar recursos para países mais vulneráveis.
G77+China, BAV e BAI seguem como peças-chave para moldar o caminho da adaptação global, com impactos diretos sobre a proteção de populações frente a efeitos climáticos já observados. As negociações em Bonn mantêm o foco em instrumentos de implementação e financiamento.
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