- O G7 de 2026 foi organizado em torno da agenda, do humor e da influência de Donald Trump, rejeitando um comunicado final único e adotando declarações temáticas para evitar contradições com Washington.
- Trump chegou atrasado a uma sessão sobre crescimento econômico em Évian; Macron adiou datas para recebê-lo, e houve destaque para o aperto de mão de Brigitte Macron.
- O aniversário de 80 anos de Trump dominou a pauta pública, com celebrações na Casa Branca e menções feitas por diversos líderes durante a semana.
- A organização diplomática incluiu declarações temáticas, com a Ucrânia e a Rússia recebendo menção, e reforços às sanções ao setor de petróleo e gás russo, mantendo o tom de apoio a Kiev.
- Convidados como Brasil, Índia, Coreia do Sul, Quênia, Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos participaram, com posições variadas sobre os textos temáticos; Lula discursou criticando o recuo da solidariedade internacional e protecionismo, enquanto o Brasil endossou apenas parte das declarações.
O G7 de 2026 aconteceu em Évian-les-Bains, na França, com foco em agenda, humor e na influência de Donald Trump. O encontro se desenrolou ao longo de três dias, com horários ajustados para acomodar o presidente dos EUA. A organização privilegiou decisões temáticas e declarações públicas, em detrimento de um comunicado final único.
Trump chegou atrasado a uma sessão sobre crescimento econômico; Macron abriu a reunião. O momento foi marcado por um aperto de mãos curto com o líder americano chegando ao topo da mesa. A cena foi registrada por assessores e repetida com tom de humor entre os presentes.
A cobertura enfatizou também o aniversário de Trump como elemento central da cúpula. Adata foi incorporada à programação, com elogios públicos de outros chefes de Estado e gestos de saudação que dominavam a narrativa diária. A presença de convidados ampliou o leque de temas em discussão.
Documentos sob medida
A organização ficou marcada pela decisão de não divulgar um único comunicado final. Em vez disso, houve uma sequência de declarações temáticas ao longo dos três dias. A estratégia, já usada em ocasiões anteriores, serviu para evitar contradições entre Washington e seus aliados.
Entre os textos divulgados, houve reconhecimento de avanços de Kiev e reforço de sanções ao setor de petróleo e gás russo. No entanto, houve um crédito indireto a Trump para justificar novas medidas, o que evidenciou uma delicada tênueza entre posição coletiva e interesses individuais.
Quem participa e quem não
Convidados ao encontro incluíram Brasil, Índia, Coreia do Sul, Quênia, Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos. Analistas veem a escolha como uma estratégia para ampliar fontes de gás, petróleo e legitimidade diplomática, caso Washington se torne menos previsível.
A participação brasileira ficou marcada pela adesão a parte dos temas, mantendo distância de outros itens da agenda. Lula discursou de forma crítica a aspectos da solidariedade internacional e do protecionismo, sem adesão a textos sobre alguns temas de cooperação.
A foto oficial mostrou Trump próximo a Lula, sem cumprimentos formais, o que foi tratado pela assessoria brasileira como irrelevante. O episódio ilustra o peso de Trump sobre o grupo, cuja dinâmica não depende apenas de ações, mas da ausência de cobranças explícitas.
A leitura global
Analistas destacam que a reunião refletiu uma tendência de multipolaridade, ainda que o G7 permaneça com peso econômico significativo. O encontro evidenciou que decisões e alinhamentos passaram por um controle individual, mesmo entre democracias tradicionais.
Os organizadores tentaram equilibrar interesses variados dentro de um mesmo espaço. O resultado aponta para um G7 cuja coordenação ainda depende do humor e da determinação de um único líder, com impactos na forma como se articulam políticas globais.
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