- Julio Cordano foi eleito presidente do Comitê Intergovernamental de Negociação (INC) em fevereiro de 2026, assumindo diante de um impasse de negociação sobre o tratado global de poluição plástica.
- O INC iniciou as negociações em 2022 com o objetivo de um acordo até 2024, mas está sem consenso e longe de um acordo.
- São 184 nações partes que ainda divergem entre limites obrigatórios à produção de plástico ou foco apenas em gestão de resíduos, reciclagem e reutilização.
- A próxima sessão presencial está marcada para Nairobi, de 30 de junho a 3 de julho de 2026, acompanhada de consultas virtuais e diálogo com observadores.
- Cordano admite a necessidade de transparência, inclusão e previsibilidade, buscando espaço para acomodar visões diferentes e avançar rumo a um acordo com base em consenso.
O novo presidente da Intergovernmental Negotiating Committee (INC) das Nações Unidas para um tratado global sobre poluição plástica é Julio Cordano. Ele tomou posse em fevereiro de 2026, no meio de negociações que não avançam conforme o calendário inicial. A gestão, segundo Cordano, precisa de consenso entre as 184 partes envolvidas.
Cordano, diplomata chileno e responsável pela Divisão de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Oceanos do Ministério das Relações Exteriores, assume diante de um impasse. O INC iniciou, em 2022, negociações com meta de acordo para 2024, mas não houve progresso significativo. O desafio é harmonizar posições entre coalizões distintas.
O cerne da disputa envolve a atuação sobre produção de plástico versus gestão de resíduos. A High Ambition Coalition (HAC) defende limites obrigatórios à produção, enquanto o grupo Like-Minded (LMG) privilegia medidas voluntárias de manejo, reutilização e reciclagem. As negociações seguem sem previsão de nova sessão formal antes de 2027.
Estrutura e direção da condução
Cordano afirma buscar um processo transparente, inclusivo e previsível. O objetivo é criar espaços de diálogo produtivos e, assim, aproximar as divergências entre as partes. Em entrevistas escritas, ele reiterou que a liderança é das delegações governamentais e que o papel do chair é facilitar o consenso.
O presidente também destacou que a cooperação entre regiões da ONU é essencial. Segundo ele, é preciso ouvir todas as regiões e traduzir aspirações legítimas em um roteiro pragmático que avance as propostas de forma equilibrada. Essa postura visa manter o movimento rumo a um acordo ambicioso.
Caminhos para o acordo e ferramentas
Entre as opções discutidas, Cordano sinaliza que o tratado pode combinar disposições voluntárias e vinculantes, conforme a Resolução 5/14 da Assembleia Ambiental da ONU. Os elementos de textos anteriores ajudam a mapear as questões em análise, cuja definição cabe aos membros.
Em relação aos mecanismos de implementação, há debates sobre financiamento para limpeza e assistência aos países em desenvolvimento. A ideia é explorar meios de execução que contemple as particularidades de diferentes regiões, sem impor sobrecargas excessivas.
Agenda e próximos passos
Cordano apresentou um roteiro que inclui encontros virtuais e presenciais. Um encontro presencial deve ocorrer em Nairobi, de 30 de junho a 3 de julho de 2026, com participação de chefes de delegação. O cronograma também prevê consultas virtuais contínuas.
O chair pretende manter diálogo direto com organizações observadoras, para ampliar o compartilhamento de informações e incorporar propostas e experiências relevantes. Observadores ressaltam, no entanto, a necessidade de participação mais ampla no processo.
Reações e cenário internacional
Pessoas ligadas ao movimento ambiental destacam a dificuldade de romper o impasse. Representantes de ONGs ressaltam que mudanças no formato do processo poderiam acelerar avanços, desde que haja participação efetiva de observadores. Outros setores veem sinais de otimismo, dada a escolha de Cordano.
Especialistas em políticas públicas indicam que cada ano sem ação agrava a poluição plástica global. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente alerta sobre milhões de toneladas de resíduos que atingem ecossistemas aquáticos anualmente, reforçando a urgência de um instrumento internacional.
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