- Fome está levando pacientes com ebola a fugirem de centros de tratamento no leste da República Democrática do Congo.
- Mais de 150 pessoas deixaram instalações de isolamento desde o final de maio, segundo relatos do governo.
- A insegurança alimentar afeta quase 10 milhões de pessoas na região, dificultando isolamento e monitoramento de contatos.
- Esta semana, 590 refeições quentes foram distribuídas a pacientes, contatos monitorados e cuidadores; cerca de 6.400 pessoas estão sob observação por possível exposição.
- O Programa Mundial de Alimentos busca US$ 175 milhões até novembro para suas operações no Congo, incluindo US$ 32 milhões para atividades relacionadas ao ebola; o orçamento da agência caiu cerca de um terço nos últimos anos.
Pacientes com ebola estão fugindo de centros de tratamento e de isolamento na República Democrática do Congo desde maio, em busca de comida, conforme relatos oficiais. O fenômeno evidencia a fome como obstáculo crucial aos esforços de contenção.
Relatórios do governo indicam mais de 150 fugas ocorridas até agora, em meio a uma crise alimentar que atinge quase 10 milhões de pessoas no leste do país. O vírus já infectou quase 900 pessoas e matou mais de 200.
O Programa Mundial de Alimentos afirma que equipes de resposta recebem pedidos de apoio alimentar para reduzir as saídas. Em Ituri, a região com a maior concentração de casos, mais de 90% dos infectados estão registrados.
A insegurança alimentar se soma a deslocamentos, conflitos e interrupções no acesso a alimentos, prejudicando o monitoramento de contatos e o isolamento de pacientes suspeitos ou confirmados.
A agência de assistência alimentar está distribuindo refeições nos centros de tratamento e para pacientes, contatos monitorados e famílias afetadas. Nesta semana, 590 refeições foram entregues em um dia.
Profissionais de saúde alertam que a fome leva a decisões difíceis para famílias inteiras, principalmente para quem é o principal provedor. Casos de mães solteiras em tratamento provocam preocupação com o bem-estar de crianças.
Desafios anteriores em surtos reforçam que a fome pode induzir buscas por alimentação nas próprias unidades de saúde, aumentando o risco de infecção entre pacientes e contatos.
Especialistas apontam que, sem assistência alimentar, a contenção do surto torna-se ainda mais complexa. O PMA busca levantar US$ 175 milhões até novembro, incluindo US$ 32 milhões para ações ligadas ao ebola.
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