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Impacto na saúde de enfermeiras e pacientes pela ofensiva migratória de Trump

A revogação do TPS ameaça milhares de profissionais de saúde imigrantes, aumentando a carência de pessoal e o impacto sobre pacientes nos EUA

Jhony Silva and his mother, Claudia Carias de Silva, prepare food for the family during Claudia's work break.
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  • A revogação do status de proteção temporária (TPS) de países como Honduras afeta médicos e profissionais de enfermagem que trabalham em hospitais e casas de repouso nos EUA, aumentando o risco de escassez no sistema de saúde.
  • Janeth, cuidadora hondurenha com TPS por mais de duas décadas, perdeu o emprego após a decisão, apesar de ter longa carreira e reconhecimentos na área; sua ausência é sentida pelos pacientes e pela equipe.
  • Estima-se que, até início de 2025, cerca de 1,3 milhão de pessoas nos EUA estavam no TPS, com pelo menos 50 mil atuando na área da saúde, o que evidencia o impacto no atendimento ao paciente.
  • O final de programas como CHNV (parole humanitário) para CHNV e decisões sobre Haiti mantêm incertezas, com casos na Suprema Corte sobre a elegibilidade de haitianos para TPS e possíveis consequências para trabalhadores de cuidados.
  • Profissionais de saúde com TPS ou CHNV temem perder status sem vias de regularização, o que pode atrasar atendimento, aumentar filas e comprometer o cuidado de pacientes vulneráveis.

O fim da designação do TPS para Honduras e outros países coloca trabalhadores que atuam em áreas vitais do sistema de saúde em situação de risco, ampliando a escassez de profissionais em hospitais e centros de cuidado. A medida envolve profissionais que já têm anos de atuação e formação específica, muitos deles naturalizados pela via do TPS.

Dolores Jacoby, diagnosticada com leucemia mieloide aguda, recebeu apoio de uma assistente de enfermagem hondurenha, Janeth, que convivia com a família enquanto cuidava dos pacientes. A partir de 2012, a dedicação da profissional ficou marcada pela relação de cuidado com Dolores e pela influência no ambiente hospitalar durante meses de tratamento.

Janeth, que vive nos EUA há mais de duas décadas, vinha trabalhando há anos em unidades de cirurgia e internação de pacientes graves. Em setembro do ano passado, com o término do TPS para Honduras, ela deixou o emprego, tornando-se um exemplo das consequências diretas da decisão sobre a força de trabalho na saúde.

A situação de Janeth é partilhada por outros profissionais que atuaram sob TPS em hospitais e redes de assistência. Em alguns casos, equipes relatam redução de pessoal entre enfermagem, auxiliares de enfermagem e outros profissionais que atendem pacientes com necessidades complexas, como pacientes na unidade de cirurgia cardíaca.

Mudanças de status migratório e impacto no sistema de saúde

Estudos indicam que quase 1,3 milhão de pessoas tinham TPS nos EUA no início de 2025, com uma parcela significativa atuando no setor de saúde. Usuários dessa categoria trabalhavam em hospitais, clínicas e lares de idosos, ajudando a suprir lacunas de mão de obra e garantindo atendimento contínuo.

Empregadores relatam variação regional no peso dessas expulsões. Em redes de assistência, como lares de idosos com várias unidades, estima-se que uma parcela considerável de funcionários tenha TPS, representando entre 20% e 30% do quadro de equipes de algumas instituições. A saída desses profissionais aumenta a pressão sobre o atendimento e pode impactar a disponibilidade de profissionais para turnos.

O debate judicial sobre o TPS permanece ativo, com litígios envolvendo diferentes países e uma decisão da Suprema Corte que pode influenciar a continuidade ou suspensão de benefícios. Enquanto isso, setores de saúde veem impactos na função de atendimento direto ao paciente, com relatos de filas maiores, tempo de triagem mais longo e menor satisfação entre pacientes em alguns locais.

A pandemia de restrições migratórias também afetou programas paralelos, como um esquema de parólio humanitário conhecido como CHNV, que concedia autorizações de trabalho para haitianos, cubanos e venezuelanos. O fim do CHNV resultou na perda de autorização de trabalho de parte de trabalhadores do cuidado, elevando a incerteza sobre continuidade de atendimento a pacientes dependentes.

Relatos de gestores de saúde destacam casos em que a saída de profissionais qualificados levou à dificuldade de manter equipes estáveis e treinamento de novos voluntários. Em estados como Flórida e Califórnia, instituições relatam que a substituição de profissionais com TPS é lenta, gerando atrasos em atendimentos e maior carga de trabalho para quem permanece.

Houve também preocupações sobre o efeito cumulativo a longo prazo, com estudantes de enfermagem e profissionais em formação que interromperam cursos ou perderam oportunidades de estágio. A posição de autoridades de agência federal tem sido de que as mudanças ocorrem após avaliação de condições no exterior e consulta a órgãos governamentais, sem ligação com motivações religiosas ou raciais.

Esther Birnbaum, residente na Flórida, depende do cuidado de profissionais haitianos como Maryse Balthazar, cuja situação de TPS pode ser afetada pelos próximos desdobramentos legais. Pacientes com condições crônicas enfrentam ansiedade adicional diante da incerteza sobre a disponibilidade contínua de cuidadores que ajudam na gestão de doenças e na qualidade de vida.

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