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Necrotério improvisado acumula corpos após terremotos na Venezuela

La Guaira: necrotério improvisado recebe famílias em busca de identificação de parentes após terremotos, com odor intenso e longas esperas

Equipes médicas e da perícia trabalham ao lado de corpos cobertos por sacos plásticos e estendidos no chão - (crédito: BBC Mundo)
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  • Necrotério improvisado fica no Los Silos, em La Guaira, onde famílias aguardam para identificar parentes após os terremotos na Venezuela.
  • Os corpos, expostos ao sol, são cobertos por sacos plásticos e organizados pela data de resgate; há uma tenda com cremação gratuita e uma unidade de odontologia forense para identificação.
  • As famílias assistem a imagens em dois televisores, buscando detalhes como tatuagens, roupas ou objetos que ajudem na identificação.
  • O processo pode levar horas: após o reconhecimento, coletam-se impressões digitais, o corpo é encaminhado ao caixão e inicia-se o processo para emissão da certidão de óbito.
  • O número de mortos na Venezuela já passa de 2,6 mil, com relatos de sofrimento, medo e dificuldades para reconfortar as famílias.

Em La Guaira, Venezuela, um necrotério improvisado ganhou função de armazenamento e identificação de corpos após o terremoto duplo de 24/6. O local, antes uma instalação portuária, acumula dezenas de familiares que aguardam notícias sobre parentes desaparecidos.

Os visitantes enfrentam uma espera longa sob o calor, com cadeiras e tendas montadas para organizar as filas. Militares controlam o acesso ao espaço, enquanto profissionais de medicina legal tentam identificar os corpos que já chegam em estado deteriorado.

Várias famílias chegam para confirmar a morte de entes queridos, buscando sinais por meio de roupas, objetos ou tatuagens. Em meio ao desespero, muitos recorrem às telas que exibem imagens de corpos para tentar reconhecimento.

Desdobramentos no local

As imagens ordenadas por data de resgate ajudam a estruturar o trabalho de identificação, que inclui coleta de impressões digitais e a preparação de certidões de óbito. O processo pode se estender por horas.

Entre as vítimas, há relatos de corpos muito deteriorados, o que dificulta o reconhecimento. Em algumas situações, apenas traços como tatuagens ou roupas ajudam a identificar parentes.

Outras famílias aguardam a liberação dos corpos para encaminhamento funerário. O tempo de espera é citado como um fator de sofrimento adicional para quem já passou dias entre hospitais e abrigos.

Contexto adicional

Segundo autoridades locais, o total de mortos na Venezuela deve aumentar nos próximos dias, com o número estimado próximo de 2,6 mil. O cenário reforça a necessidade de apoio logístico para familiares e equipes forenses.

Alguns parentes relatam sensações de pânico ao se deparar com a possibilidade de não reconhecerem mais seus entes queridos. Mesmo assim, o reconhecimento permanece como etapa central do processo.

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