- Pescadores da ilha Sherbo, em Serra Leoa, dizem que as capturas caíram nos últimos anos e acusam navios pesqueiros estrangeiros, principalmente chineses, de invadir a zona de exclusão marítima.
- Eles relatam danos às redes — com cortes durante a noite — e custos de reposição que chegam a até $250 por situação.
- Navios grandes são avistados no horizonte, entrando na zona de exclusão de sete milhas, segundo a comunidade local.
- O grupo ambientalista Environmental Justice Foundation afirma que a maioria das embarcações internacionais na região são da China; há relatos de corrupção e desinteresse das autoridades locais para proteger os pescadores.
- Autoridades de Serra Leoa contestam, afirmando ter medidas em vigor, como equipamentos de rastreamento por transponder e fiscalizações, mas reconhecem dificuldade em apontar casos de aplicação das penalidades nos últimos anos.
Fishermen de Sherbo Island, na Serra Leoa, relatam queda nas capturas nos últimos anos, atribuindo o problema a navios pesqueiros estrangeiros de grande porte. Eles trabalham na pesca costeira tradicional e dizem que os barcos aventureiros entram na zona de exclusão estabelecida pela autoridade local.
Moradores, como Marie Pierre, recolhem sardinhas entre resíduos de água-viva, enfatizando que as embarcações internacionais operariam cada vez mais próximo da costa, apesar de a área ter regras para mantê-las afastadas.
Musa Gassimo afirma que redes são cortadas durante a noite por trawlers, aumentando os custos de reposição das redes, que chegam a cerca de 250 dólares por ocorrência. Ele aponta para navios estrangeiros no horizonte que afirmam operar fora da zona, mas retornam quase todo o período noturno.
Abou Waisissé, 70, descreve ataques envolvendo redes de barcos locais; Mohamedi Kamara, 55, relata colisões que danificaram sua embarcação. Vizinhos relatam episódios semelhantes, com impactos diretos na sobrevivência de comunidades de pesca.
Étnicas dos navios estrangeiros são alvo de debate. O diretor da ONG Environmental Justice Foundation, Steve Trent, aponta que a maior parte das embarcações vêm da China, após registrar presença de outras nacionalidades no passado.
Kamara afirma que as denúncias são levadas ao Ministério das Pescas, mas não obtêm resposta eficaz, segundo ele. Turay, presidente da União de Pescadores, acusa corrupção e influencia de pagamentos para favorecer atividades ilegais.
Respostas oficiais e perspectivas distintas
Sheku Sei, da Diretoria do Ministério das Pescas da Serra Leoa, nega grande escala de pesca ilegal no país. Ele destaca o uso de transponders por navios e inspeções periódicas para coibir irregularidades.
Sei afirma que as sanções por violação da zona de exclusão de sete milhas marítimas existem, embora não consiga apontar casos recentes de aplicação. O governo sustenta que medidas de fiscalização reduziriam a prática, segundo ele.
Organizações internacionais chamam atenção para a necessidade de maior rastreamento de embarcações e pressão internacional sobre a China, enfatizando que as capturas africanas são vendidas globalmente. Trent afirma que a China não controla suficientemente sua frota e que subsidiação pode incentivar abusos.
Autoridades locais e especialistas divergem sobre a dimensão exata do problema. Enquanto moradores relatam ataques diretos e prejuízos, representantes do governo ressaltam avanços na fiscalização e na transparência do monitoramento.
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