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“O fogo te devora”, diz morador evacuado pelo incêndio na Espanha

Incêndios florestais já comsumiram área similar a capital de Minas Gerais; milhares já foram deslocados

Moradores evacuados devido a um incêndio florestal perto de San Martin de Valdeiglesias abrigam-se em um ginásio esportivo em Villamanta, a oeste de Madri (Crédito: PIERRE-PHILIPPE MARCOU/AFP)

Por Diego Urfaneta e Sonia Gonzalez (AFP) “O fogo te devora. Ou você sai correndo ou ele queima suas calças”, relata Ecologio Cabrera sobre o incêndio que obrigou a evacuação de milhares de pessoas no oeste da Comunidade de Madri, região administrativa que inclui a capital espanhola e municípios vizinhos. Ele também alerta para o […]

“O fogo te devora. Ou você sai correndo ou ele queima suas calças”, relata Ecologio Cabrera sobre o incêndio que obrigou a evacuação de milhares de pessoas no oeste da Comunidade de Madri, região administrativa que inclui a capital espanhola e municípios vizinhos. Ele também alerta para o “perigo da fumaça” para a respiração.

Em seus 29 anos vivendo em Aldea del Fresno, a cerca de 50 quilômetros do centro de Madri, “nunca vivi nada parecido”, afirma o aposentado de 86 anos. Na Europa, os incêndios florestais que atingem a Espanha e a França já duram mais de 10 dias e queimaram uma área equivalente a de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Segundo as autoridades regionais, cerca de 6.000 hectares já foram carbonizados desde quinta-feira (23). A área equivale a aproximadamente 60 km², ou mais de 8 mil campos de futebol.

+Incêndios na Espanha consumiram área similar a Belo Horizonte

Em declarações à AFP, Cabrera contou como os bombeiros o retiraram às pressas de casa.

“Eles chegaram, mandaram todos para fora, saímos só com a roupa do corpo e aqui estamos só com a roupa do corpo. Ou seja, não deu tempo de pegar nada. Corremos perigo lá por causa da fumaça. Então aqui estamos, aguentando”, afirmou em um ginásio de Villamanta, usado como abrigo para os moradores retirados de suas casas.

O idoso também disse ter sentido muito “medo” por sua filha, moradora de um município próximo, “onde tudo pegou fogo”. “Tenho uma filha em Villa del Prado. Tudo queimou”, relatou.

Ele descreveu uma corrida contra o relógio para evitar que as chamas alcançassem a casa da filha, que aguardou a chegada dos bombeiros enquanto jogava água com “mangueiras de jardim” na casa e nos arredores, ao lado da família.

“Ainda bem que estavam lá com mangueiras, jogando água até os bombeiros chegarem. Eles se salvaram por isso”, contou.

Medo, fumaça e escuridão

Mercedes García, dona de casa de 69 anos, também está entre as pessoas retiradas da região. A polícia e a Guarda Civil, força de segurança espanhola que atua em áreas rurais e municípios menores, a retiraram de casa no começo da tarde de quinta-feira.

Ela tem dificuldades de locomoção e usa um andador. No ginásio municipal onde foi acolhida, passou a noite em um colchão inflável de piscina, enquanto o marido dormiu em uma cadeira.

“O que aconteceu aqui é inacreditável”, disse, ainda abalada com os acontecimentos.

“Todo o povoado foi evacuado”, ou seja, “cerca de 3.500 habitantes”, explicou o vereador Félix Hernández.

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“Tenho 53 anos e já vi incêndios importantes, mas um tão grande como este, não”, afirmou, expressando seu “temor” diante dos acontecimentos.

A poucos quilômetros dali, o município de Villa del Prado, com cerca de 8 mil habitantes, não foi evacuado, mas permanece confinado. Moradores aguardam com ansiedade uma melhora da situação, que piorou ao meio-dia com a junção de dois incêndios na região.

“As lágrimas caem não só por mim, mas por todos”, lamentou Mariano González, aposentado de 67 anos, contatado por telefone pela AFP, ao descrever o cenário de “desolação” ao seu redor.

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Ao acordar, “era como se tivesse havido um dia de neblina”, contou, depois de levar o cachorro para passear. “É muito difícil de descrever”, disse. “Todo mundo usava máscaras.”

“Tudo o que eu vejo, olho para cima, olho para baixo, atrás, na frente, e está tudo preto…”, continuou.

 

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