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São Paulo: pontos ligados à memória da ditadura completam 60 anos

São Paulo celebra seis décadas do golpe de 1964 com memoriais e espaços que lembram torturas, prisões e a resistência à ditadura

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  • O golpe de 31 de março a 1º de abril de 1964 depôs o presidente João Goulart e deu início a um regime autoritário de vinte e um anos.
  • Em São Paulo, são destacados dez lugares ligados à memória da ditadura, abertos para visitação, pesquisa e reflexão.
  • Memorial da Resistência, no centro, é o maior museu dedicado à memória das resistências e da democracia; fica no antigo Deops e funciona de quarta a segunda, das 10h às 18h com entrada gratuita mediante reserva.
  • Cemitério Dom Bosco – Vala de Perus guarda ossadas de indigentes mortos durante o período, com monumento aos mortos e desaparecidos políticos e entrada livre.
  • Outros espaços importantes incluem o Tuca (Teatro da Universidade Católica), a homenagem a Carlos Marighella na Alameda Casa Branca, a Casa de Portugal de São Paulo, o Teatro da USP, o Arco do antigo Presídio Tiradentes, a Praça Vladimir Herzog, o Memorial aos Membros da Comunidade USP vítimas do regime e o Monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos no Ibirapuera.

A madrugada entre 31 de março e 1º de abril de 1964 marcou o Brasil com a deposição de João Goulart e o início de uma ditadura que durou 21 anos. Hoje, seis décadas após o golpe, a memória permanece em espaços públicos de São Paulo.

A cidade abriga locais que testemunharam violência, censura e resistência. Tesouros históricos ajudam a entender o período, sem emitir julgamentos, apenas apresentando fatos e datas relevantes para a memória coletiva.

A lista abaixo reúne espaços acessíveis ao público que lembram esse capítulo da história paulistana, com informações práticas sobre visitação e significado histórico.

Memorial da Resistência

No centro, é o maior museu dedicado à memória das resistências pela democracia. O prédio já abrigou o Deops, órgão repressivo durante a ditadura. O acervo inclui celas históricas e exposições temáticas. Funcionamento de quarta a segunda, das 10h às 18h. Entrada gratuita mediante reserva. Avenida General Osório, 66.

Cemitério Dom Bosco – Vala de Perus

Inaugurado em 1971, ficou conhecido após a descoberta de 1.049 sacos com ossadas de indigentes durante a ditadura. O Monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos, de Ricardo Ohtake, foi inaugurado por Luiza Erundina para homenagear as vítimas. Aberto diariamente, 8h às 17h. Estrada do Pinheirinho, 860.

Tuca

O Teatro da PUC-SP, em Perdizes, foi marco de resistência cultural durante o AI-5, recebendo nomes como Elis Regina e Caetano Veloso. Também serviu para debates e atos públicos. O espaço sofreu dois incêndios em 1984 e foi tombado em 1988 como bem cultural. Rua Monte Alegre, 1024.

Homenagem a Carlos Marighella

Uma pedra de granito na Alameda Casa Branca, perto do 815, persevera como memorial ao guerrilheiro assassinado pela ditadura em 1969. A placa original foi roubada; a inscrição atual permanece desgastada pela passagem do tempo. Alameda Casa Branca, quase 85.

Casa de Portugal de São Paulo

Criada em 1935 para apoiar a comunidade portuguesa, sediou assembleias sindicais importantes nos anos finais da ditadura, incluindo a maior assembleia de bancários desde o AI-5, em 1978. Biblioteca e galeria de arte abrem conforme agenda. Avenida Liberdade, 602.

Teatro da USP (Tusp)

Rubro histórico na fronteira com a Mackenzie, palco de episódios de tensão entre faculdades. A chamada Batalha da Maria Antônia ocorreu em 1968, com feridos e um morto. Hoje abriga programação teatral universitária. Rua Maria Antônia, 294.

Arco do antigo Presídio Tiradentes

Arquitetura remanescente do presídio criado em 1852. Foi centro de detenção de presos políticos durante a ditadura. O arco foi tombado em 1985; não há sinalização educativa no local hoje. Avenida Tiradentes, 451.

Praça Vladimir Herzog

Homenageia o jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1973 nos porões do DOI-CODI. O espaço, atrás da Câmara Municipal, abriga obras de Elifas Andreato e a Escadaria da Liberdade, com trechos do Hino da Proclamação da República. Rua Santo Antônio, Bela Vista.

Memorial aos Membros da Comunidade USP Vítimas do Regime

Inaugurado em 2011 na Praça do Relógio, o memorial lista nomes de docentes, funcionários e estudantes mortos ou desaparecidos. A frase constitucional da Declaração Universal dos Direitos Humanos acompanha as placas. Praça do Relógio, USP, Butantã.

Monumento aos Mortos e Desaparecidos Políticos

Inaugurado em 2014 em frente ao Parque do Ibirapuera, mede seis metros de altura por 12 de comprimento. Projetado por Ricardo Ohtake, contém nomes de 436 mortos e desaparecidos no país. Área externa do parque, Portão 10, Vila Mariana.

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