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Muro na Cracolândia gera polêmica e é chamado de ‘campo de concentração’ por ativistas

- A Prefeitura de São Paulo construiu um muro na Cracolândia, alegando segurança. - O PSOL acionou o STF, chamando a área de "curral humano" e denunciando abusos. - A média de usuários caiu 73,14% em 2024, mas aglomerações surgiram em outras áreas. - A obra, contratada pela Kagimasua Construções, foi precedida de licitação. - Especialistas criticam a política, afirmando que não resolve a situação dos usuários.

A Prefeitura de São Paulo construiu um muro de aproximadamente 40 metros de extensão e 2,5 metros de altura na Cracolândia, localizada no Centro da cidade, com o objetivo de delimitar uma área para usuários de drogas. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a estrutura substitui tapumes de metal que estavam no local há […]

A Prefeitura de São Paulo construiu um muro de aproximadamente 40 metros de extensão e 2,5 metros de altura na Cracolândia, localizada no Centro da cidade, com o objetivo de delimitar uma área para usuários de drogas. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a estrutura substitui tapumes de metal que estavam no local há mais de um ano. A administração municipal alega que a construção visa melhorar o atendimento aos usuários, aumentar a segurança das equipes e facilitar o trânsito de veículos. Dados da prefeitura indicam uma redução de 73,14% na média de pessoas na área entre janeiro e dezembro de 2024.

Entretanto, representantes do coletivo Craco Resiste criticam a medida, chamando o espaço cercado de um “campo de concentração de usuários”. Segundo Roberta Costa, do coletivo, o muro foi erguido para manter os usuários em uma área visível apenas para quem passa de carro, além de dificultar o acesso de movimentos de direitos humanos que prestam assistência. A Defensoria Pública de São Paulo também se manifestou, descrevendo a área cercada como um “curral humano” e relatando que os usuários são frequentemente revistados e direcionados para o espaço delimitado.

A construção do muro foi contratada pela empresa Kagimasua Construções Ltda., após um processo licitatório que ocorreu em fevereiro de 2024. O contrato, fechado em abril do mesmo ano, prevê a construção de muros de fechamento parcial e foi precedido por uma concorrência onde a empresa apresentou a proposta mais vantajosa. A obra foi iniciada em maio e finalizada em junho de 2024, com custos que ultrapassaram R$ 37 mil em materiais.

Além da Cracolândia, outras áreas de São Paulo, como a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rua Doutor Avelino Chaves, têm registrado aglomerações de dependentes químicos. Embora a média de usuários na Rua dos Protestantes tenha diminuído, especialistas alertam que a política de dispersão não resolve o problema do aumento da população em situação de rua e que as condições de vida dos usuários continuam a piorar. A Prefeitura, por sua vez, defende que as ações realizadas visam a segurança e o acolhimento das pessoas em situação de vulnerabilidade.

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