A gestão de Márcio Pochmann à frente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta uma crise significativa, um ano e meio após sua posse. O economista, indicado pelo presidente Lula, é alvo de críticas por sua postura autoritária e por decisões que desrespeitam o corpo técnico do órgão. “Tinha tudo para dar errado, […]
A gestão de Márcio Pochmann à frente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta uma crise significativa, um ano e meio após sua posse. O economista, indicado pelo presidente Lula, é alvo de críticas por sua postura autoritária e por decisões que desrespeitam o corpo técnico do órgão. “Tinha tudo para dar errado, e deu mesmo”, afirma Edmar Bacha, ex-presidente do IBGE, destacando que a situação atual compromete a credibilidade das estatísticas brasileiras.
Recentemente, 134 servidores do IBGE assinaram uma carta aberta denunciando a gestão de Pochmann, que inclui a criação da Fundação IBGE+, um órgão público-privado que visa captar recursos externos. Essa iniciativa, apelidada de “IBGE paralelo”, levanta preocupações sobre a imparcialidade dos dados produzidos pelo instituto, uma vez que a associação com empresas privadas pode influenciar as estatísticas oficiais. Críticos, como Wasmália Bivar, ex-presidente do IBGE, alertam que a captação de recursos externos pode desencadear uma crise de confiança.
A pressão sobre Pochmann aumentou após a renúncia de diretores e a resistência dos servidores, que pedem a revogação da criação da fundação. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores do IBGE (Assibge), Bruno Perez, solicitou diálogo, mas Pochmann respondeu com uma notificação extrajudicial, exigindo que o sindicato não utilizasse a sigla IBGE em seu nome, o que foi interpretado como uma medida retaliatória.
Com um histórico de gestão autoritária no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Pochmann enfrenta um futuro incerto no IBGE. O Ministério do Planejamento, responsável por sua indicação, não se manifestou sobre a situação. A continuidade de Pochmann no cargo parece depender da decisão do presidente Lula, enquanto o IBGE vive um dos períodos mais conturbados de sua história.
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