Na noite em que seu pai morreu, Marta Moraes Nehring, 60, teve uma febre intensa, mas só soube da morte meses depois. Seu pai, Norberto Nehring, economista e professor da USP, foi preso e assassinado pela ditadura militar em 1970, aos 29 anos. Marta, uma das muitas crianças afetadas pela repressão, cresceu em meio ao […]
Na noite em que seu pai morreu, Marta Moraes Nehring, 60, teve uma febre intensa, mas só soube da morte meses depois. Seu pai, Norberto Nehring, economista e professor da USP, foi preso e assassinado pela ditadura militar em 1970, aos 29 anos. Marta, uma das muitas crianças afetadas pela repressão, cresceu em meio ao silêncio e à dor. Recentemente, a história da família Paiva, marcada pela morte de Rubens Paiva, também ganhou destaque com o filme “Ainda Estou Aqui”, que retrata as memórias de Marcelo Rubens Paiva sobre o desaparecimento do pai.
Norberto Nehring foi preso em 1969, após ser cercado por policiais do Dops. Ele ficou detido por mais de dez dias e, ao ser solto, entrou na clandestinidade. Em abril do mesmo ano, ele se exilou em Cuba, onde recebeu treinamento militar. Ao retornar ao Brasil, foi novamente preso, torturado e assassinado. A versão oficial da polícia alegou suicídio, mas Marta e sua mãe só descobriram a verdade anos depois, quando conseguiram um atestado de óbito com as causas reais da morte.
Marta relata que o medo gerado pela repressão afetou profundamente sua infância e sua identidade. Ao voltar ao Brasil em 1975, não podia falar sobre seu pai, e essa repressão se tornou parte de sua vida. Ela expressa a dor de não ter podido se despedir do pai e a angústia de não saber quem foi o responsável por sua morte. Para ela, a luta por justiça e reparação é uma questão que transcende as famílias, sendo um problema que envolve toda a sociedade brasileira.
Marta critica a falta de reparação histórica no Brasil e destaca a importância de discutir esses temas para evitar que se repitam. O filme “Ainda Estou Aqui” representa uma reafirmação de que as famílias dos desaparecidos sempre estiveram presentes na luta por justiça. Ela enfatiza que a questão dos mortos e desaparecidos não é apenas um problema familiar, mas um desafio que deve ser enfrentado por toda a nação.
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