O culto fúnebre da bispa Keila Ferreira, realizado em 3 de fevereiro, evidenciou a desconexão do governo Lula com as lideranças evangélicas. Keila, aos 52 anos, era uma figura proeminente na Assembleia de Deus do Brás e sua morte gerou grande comoção. Enquanto políticos de diversas siglas compareceram, a ausência de Lula e de seus […]
O culto fúnebre da bispa Keila Ferreira, realizado em 3 de fevereiro, evidenciou a desconexão do governo Lula com as lideranças evangélicas. Keila, aos 52 anos, era uma figura proeminente na Assembleia de Deus do Brás e sua morte gerou grande comoção. Enquanto políticos de diversas siglas compareceram, a ausência de Lula e de seus 39 ministros foi criticada, especialmente pelo pastor Silas Malafaia, que afirmou que o presidente perdeu uma oportunidade de se aproximar dos evangélicos.
Em resposta às críticas, o pastor Oliver Costa Goiano, do PT, defendeu que Lula não utiliza a fé como instrumento político, ao contrário do que faz o bolsonarismo. Ele argumentou que, se o presidente tivesse enviado representantes, também enfrentaria críticas. Goiano lembrou que, em 2023, Lula enviou dois evangélicos para a Marcha para Jesus, mas não compareceu pessoalmente. O presidente expressou seu pesar pela morte de Keila, chamando-a de “referência de fé inabalável”.
A presença de figuras da direita no culto, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi vista como uma estratégia para fortalecer laços com a comunidade evangélica. O culto reuniu líderes políticos que têm se alinhado com a Assembleia de Deus, especialmente com o bispo Samuel Ferreira, que mantém uma relação próxima com Bolsonaro. A ausência de representantes do governo Lula foi interpretada como um sinal de desprezo, segundo Malafaia, que destacou a importância de reconhecer a relevância de segmentos sociais.
Especialistas apontam que a presença de políticos no culto fúnebre foi uma forma de “marcar território” e demonstrar respeito à comunidade evangélica, especialmente em um contexto eleitoral onde cada voto é crucial. A relação entre o governo e os evangélicos tem se mostrado complexa, com Lula buscando um diálogo baseado em propostas, enquanto o bolsonarismo se concentra em questões teológicas e morais. A morte de Keila Ferreira pode influenciar a dinâmica política, especialmente entre as mulheres evangélicas, um eleitorado que se mostra cada vez mais decisivo.
Entre na conversa da comunidade