A demissão do economista David Deccache pelo PSOL evidenciou uma crescente divisão interna sobre a relação do partido com o governo Lula. O desligamento ocorreu após uma reunião da bancada na Câmara dos Deputados, em que a maioria decidiu pela exoneração de Deccache, que era assessor do partido. A votação, proposta pela nova líder Talíria […]
A demissão do economista David Deccache pelo PSOL evidenciou uma crescente divisão interna sobre a relação do partido com o governo Lula. O desligamento ocorreu após uma reunião da bancada na Câmara dos Deputados, em que a maioria decidiu pela exoneração de Deccache, que era assessor do partido. A votação, proposta pela nova líder Talíria Petrone, resultou em oito votos a favor e quatro contrários, refletindo a polarização entre os que apoiam o governo e os que desejam críticas mais contundentes à gestão.
Deccache, crítico da política econômica do governo, já havia se manifestado nas redes sociais, chamando o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de “agente do mercado” e responsabilizando a gestão petista pelo aumento da taxa de juros. Ele alega que sua demissão foi motivada por suas críticas e acusa o deputado Guilherme Boulos de perseguição. Em resposta, deputados que votaram pela demissão afirmaram que Deccache tinha um comportamento “inadmissível”, atacando publicamente colegas e a liderança do partido.
A crise interna no PSOL reflete uma disputa mais ampla sobre o futuro da esquerda no Brasil. O partido está dividido entre o Movimento Esquerda Socialista (MES), que defende um endurecimento das críticas ao governo, e o PSOL de Todas as Lutas, que busca manter o apoio a Lula, mas com um enfrentamento das contradições da gestão. O MES, que já se opôs ao apoio a Lula em 2022, critica a ala majoritária por não reconhecer os riscos da extrema-direita.
Além disso, há especulações sobre uma possível federação entre o PSOL e o PT, com Boulos articulando um movimento para moderar a filosofia do partido. O deputado Glauber Braga mencionou que a revisão do programa político do PSOL, a primeira em 20 anos, poderia facilitar essa federação. No entanto, fontes ligadas ao partido negam que haja negociações em curso, considerando as afirmações da ala minoritária como tentativas de mobilizar a militância diante da falta de espaço dentro da sigla.
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