Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, apresentou um “prisômetro”, um painel digital que contabiliza em tempo real as prisões realizadas pela Guarda Civil Metropolitana, utilizando câmeras de segurança. Com três metros de altura e um metro de largura, o painel faz parte do programa Smart Sampa, que instalou 23 mil câmeras pela cidade. No entanto, […]
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, apresentou um “prisômetro”, um painel digital que contabiliza em tempo real as prisões realizadas pela Guarda Civil Metropolitana, utilizando câmeras de segurança. Com três metros de altura e um metro de largura, o painel faz parte do programa Smart Sampa, que instalou 23 mil câmeras pela cidade. No entanto, o projeto enfrenta críticas, especialmente após a suspensão de seu primeiro edital pela Justiça, que considerou racistas alguns critérios de identificação de suspeitos.
A iniciativa de Nunes reflete uma tendência na política brasileira, onde prefeitos buscam se destacar no combate ao crime, mesmo que a segurança pública seja uma atribuição dos estados. Essa estratégia pode ser vista como uma preparação para futuras candidaturas, como no caso de Nunes, que pode almejar o Palácio dos Bandeirantes. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes também anunciou a criação de uma força municipal armada, em meio a críticas ao governo estadual, e pode renunciar ao cargo para concorrer ao Palácio Guanabara em 2026.
O fortalecimento das guardas municipais foi recentemente respaldado pelo Supremo Tribunal Federal, que autorizou essas forças a realizarem prisões em flagrante. Contudo, especialistas alertam que essas guardas carecem de preparo e estrutura para enfrentar a criminalidade organizada. Paes reconheceu que sua nova força armada não será capaz de combater o tráfico de drogas ou milícias, limitando-se a ações de menor escala.
A socióloga Silvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, critica a abordagem dos prefeitos, afirmando que as medidas de endurecimento policial são insuficientes. Ela ressalta que, para efetivamente reduzir os roubos, é necessário desarticular redes de receptação e venda, o que demanda uma estratégia de inteligência, em vez de ações pontuais que apenas “enxugam gelo”.
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