Na semana passada, a administração Trump encerrou abruptamente dez mil contratos e subsídios de assistência estrangeira, afetando programas essenciais em diversas partes do mundo. Essa decisão impacta milhões de pessoas, especialmente em um contexto já prejudicado pela desarticulação da USAID e pela suspensão de ajuda humanitária iniciada em janeiro. Embora alguns contratos tenham sido restaurados, […]
Na semana passada, a administração Trump encerrou abruptamente dez mil contratos e subsídios de assistência estrangeira, afetando programas essenciais em diversas partes do mundo. Essa decisão impacta milhões de pessoas, especialmente em um contexto já prejudicado pela desarticulação da USAID e pela suspensão de ajuda humanitária iniciada em janeiro. Embora alguns contratos tenham sido restaurados, muitos permanecem cancelados, incluindo aqueles voltados para fornecimento de água potável, abrigo e tratamento de crianças com HIV/AIDS.
A suspensão das ajudas foi acompanhada de uma isenção que permitia ao Secretário de Estado, Marco Rubio, emitir dispensas para serviços essenciais. No entanto, um funcionário da USAID foi afastado após relatar que não conseguiria implementar essas isenções devido a ações de nomeados da administração Trump. Segundo a administração, os cancelamentos foram resultado da conclusão de uma revisão das assistências congeladas. Atul Gawande, ex-chefe da USAID, criticou a abordagem, afirmando que “não se pode pausar um avião em pleno voo e demitir a tripulação sem uma catástrofe”.
Vários oficiais humanitários descreveram os cancelamentos como um “massacre”, com notificações de término sendo confusas e inesperadas, até mesmo para alguns dentro das agências. As notificações indicavam que os contratos estavam sendo encerrados por “conveniência”, e muitos expressaram preocupação com o tempo da decisão, que parece ter sido uma resposta a uma ordem judicial para pagar quase R$ 2 bilhões em taxas não pagas a organizações humanitárias. Organizações como a Elizabeth Glaser Pediatric AIDS Foundation relataram a rescisão de acordos críticos, que atendiam mais de 350 mil pessoas em tratamento para HIV.
Além disso, um oficial de outra organização humanitária revelou que mais de 80% dos prêmios de assistência estrangeira de sua entidade foram cancelados, incluindo projetos no República Democrática do Congo, onde 14 mil pessoas deslocadas estão em risco de doenças transmitidas pela água. A situação é alarmante, com programas que forneciam sementes a agricultores e apoio a crianças desnutridas também sendo encerrados. A incerteza sobre a continuidade de programas vitais levanta preocupações sobre possíveis erros nas decisões tomadas, deixando muitos esperançosos por uma reversão dessas medidas prejudiciais.
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