Um sistema de monitoramento vital, gerido pelos Estados Unidos, que visa identificar crises alimentares antes que se tornem fomes, foi interrompido após cortes de ajuda externa pela administração Trump. O Famine Early Warning Systems Network (FEWS NET), que analisa secas, produção agrícola e preços de alimentos em mais de 30 países, teve suas operações paralisadas. […]
Um sistema de monitoramento vital, gerido pelos Estados Unidos, que visa identificar crises alimentares antes que se tornem fomes, foi interrompido após cortes de ajuda externa pela administração Trump. O Famine Early Warning Systems Network (FEWS NET), que analisa secas, produção agrícola e preços de alimentos em mais de 30 países, teve suas operações paralisadas. O projeto, financiado pela USAID e administrado pela Chemonics International, contava com pesquisadores nos EUA e globalmente para fornecer previsões de oito meses sobre insegurança alimentar.
A interrupção do FEWS NET afeta diretamente países como Sudão, Sudão do Sul, Somália, Iémen e Etiópia, que enfrentam insegurança alimentar aguda. Tanya Boudreau, ex-gerente do projeto, destacou que a falta de intervenções antecipadas pode resultar em custos elevados, tanto para o governo dos EUA quanto para as vidas das pessoas afetadas. Atualmente, o site do FEWS NET está fora do ar, e sua vasta base de dados, essencial para análises globais de segurança alimentar, foi retirada da internet.
Embora a USAID tenha indicado que uma isenção humanitária poderia se aplicar ao FEWS NET, ainda não há detalhes sobre a retomada das atividades. O Secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que uma isenção abrangente foi emitida para programas de assistência vital, mas muitos funcionários da USAID relatam que a maioria dos programas de assistência humanitária permanece paralisada. Isso inclui assistência alimentar em países como Afeganistão e Colômbia, com parceiros de caridade também interrompendo a entrega de produtos nutricionais.
A ausência do FEWS NET não está impactando tanto quanto a interrupção da assistência alimentar, mas especialistas alertam que, se a ajuda continuar a fluir sem o monitoramento adequado, a eficácia das intervenções será comprometida. Daniel Maxwell, professor de segurança alimentar, ressaltou que a falta do FEWS NET significa que não há um mecanismo interno eficaz para determinar onde a assistência é mais necessária. O sistema, criado após a fome de 1984 na Etiópia, é considerado o padrão ouro no setor, e sua desativação pode levar a um retrocesso significativo nas capacidades de monitoramento e resposta a crises alimentares.
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