O governo do Peru decretou estado de emergência em Lima no último domingo, 16 de fevereiro de 2024, após o assassinato do cantor Paul Flores, conhecido como “El Ruso”, da banda Armonía 10. A medida permite que as Forças Armadas atuem em conjunto com a polícia para combater gangues responsáveis por uma crescente onda de […]
O governo do Peru decretou estado de emergência em Lima no último domingo, 16 de fevereiro de 2024, após o assassinato do cantor Paul Flores, conhecido como “El Ruso”, da banda Armonía 10. A medida permite que as Forças Armadas atuem em conjunto com a polícia para combater gangues responsáveis por uma crescente onda de extorsões que afeta diversos setores da sociedade peruana. O chefe do gabinete ministerial, Gustavo Adrianzén, anunciou que tropas seriam deslocadas para apoiar a Polícia Nacional.
Flores, de 40 anos, foi morto a tiros enquanto estava em um ônibus após uma apresentação em San Juan de Lurigancho. O crime gerou indignação e pressão sobre a presidente Dina Boluarte, que enfrenta baixa popularidade. Membros da banda relataram que estavam sendo alvo de extorsões, com criminosos exigindo dinheiro para que continuassem a se apresentar. A apresentadora María Pía Copello expressou sua preocupação nas redes sociais, destacando que o caso de Flores não é isolado.
A extorsão no Peru tem se intensificado, com mais de 18 mil denúncias registradas em 2024, um aumento significativo em relação aos 4.500 casos de 2021. Pequenos comerciantes e motoristas de ônibus são os mais afetados, com muitos relatos de ameaças e violência. Em um caso notório, uma escola em Trujillo foi alvo de um atentado a bomba após o diretor receber exigências de pagamento. A pesquisa do Instituto de Estudos Peruanos revelou que 20% da população já foi vítima de extorsão.
A crise de extorsão coincide com a presença crescente de grupos criminosos internacionais no Peru, como o Tren de Aragua, que foi recentemente classificado como uma “organização terrorista” pelo Congresso peruano. Apesar de algumas prisões, a maioria dos casos não é denunciada devido ao medo de retaliação. A ineficiência do Estado em combater o crime organizado é evidente, com orçamentos limitados para os ministérios da Defesa e do Interior, e a situação se agrava com a instabilidade política que o país enfrenta nos últimos anos.
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