Uma mensagem de um militar que se chama “Hitler da Bahia” em um grupo no Telegram mostrou que há planos para atacar mulheres, revelando a radicalização e o ódio entre jovens. Ele disse que quer “mostrar para essas ‘ninfetinhas’ quem continua mandando”. Esse tipo de comportamento faz parte da “manosfera”, onde homens mais velhos influenciam adolescentes em comunidades online. O psicanalista Christian Dunker comentou que esses jovens se tornam parte de um grupo forte que ataca um inimigo comum. A pesquisadora Bruna Camilo observou que a misoginia nesses grupos pode levar a ações extremas, como o estupro virtual, e que os participantes, muitas vezes chamados de incels, culpam as mulheres por suas dificuldades em relacionamentos. Eles acreditam que a maioria das mulheres só se interessa por um pequeno grupo de homens. Dentro da manosfera, existem os “red pills”, que se acham superiores, e os “black pills”, que se sentem inferiores. A juíza Vanessa Cavalieri notou um aumento em crimes virtuais, como ameaças e misoginia, e defende que crianças não devem usar redes sociais sem supervisão, pois a internet é como uma rua onde elas andam sozinhas.
Uma mensagem de um militar autodenominado “Hitler da Bahia” em um grupo no Telegram revelou a organização de ataques a mulheres, evidenciando a radicalização e a cultura de ódio entre jovens. A mensagem, que diz: “Mostrar para essas ‘ninfetinhas’ quem continua mandando”, foi divulgada pelo UOL e expõe a dinâmica da chamada “manosfera”.
Esse fenômeno é caracterizado pela presença de líderes masculinos que atraem adolescentes para comunidades virtuais. O psicanalista Christian Dunker explica que a figura de um homem mais velho, capaz de reunir centenas de jovens, exerce uma forte influência. “Esses meninos são transformados em membros de um poderoso exército, que se organizam e atacam um inimigo em comum,” afirma Dunker.
A manosfera abrange diversos grupos com um foco comum: o machismo. A pesquisadora Bruna Camilo destaca que a misoginia pode levar a ataques radicais, como o estupro virtual. “Há uma sensação de liberdade em propagar o ódio contra as mulheres,” diz Camilo, que acompanhou cinco grupos no Telegram entre 2021 e 2023.
Os jovens que participam desses grupos frequentemente se identificam como incels (celibatários involuntários), culpando as mulheres por suas dificuldades em relacionamentos. Eles distorcem teorias econômicas para justificar suas crenças, afirmando que “80% das mulheres só se interessam por 20% dos homens.” Essa ideologia é alimentada por um ambiente virtual que funciona como uma seita, onde a lealdade é testada.
Dentro da manosfera, também existem os “red pills,” homens que se consideram superiores às mulheres. Em contraste, os “black pills” se sentem ainda mais inferiores, acreditando que nunca serão atraentes. Camilo observa que esses grupos oferecem uma válvula de escape para jovens isolados e que sofrem bullying.
A juíza Vanessa Cavalieri, que atua na Vara da Infância e Juventude do Rio, notou um aumento nos crimes virtuais desde 2019, incluindo ameaças e misoginia. Ela defende a proibição de redes sociais para crianças e o monitoramento de adolescentes, afirmando que “a internet é uma rua virtual em que ele sai sozinho e sem dizer para onde vai.”
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