Lola Aronovich, professora e blogueira feminista, criou o blog Escreva Lola Escreva em 2008 e desde então tem enfrentado ataques misóginos e uma campanha de ódio online. Uma pesquisa do NetLab da UFRJ revelou que existem 137 canais no YouTube que promovem conteúdo misógino, gerando lucros e contribuindo para o aumento da violência contra mulheres no Brasil. Esses canais, que somam mais de 105 mil vídeos e 152 mil inscritos, monetizam seu conteúdo através de anúncios, doações e assinaturas. A pesquisa identificou que 80% desses canais usam estratégias de monetização, como o Programa de Membros do YouTube e Super chats, arrecadando quantias significativas. Apesar das diretrizes do YouTube contra conteúdo de ódio, a plataforma tem dificuldade em moderar esses canais, que usam linguagem disfarçada para evitar a remoção. Lola, que tentou criar um canal no YouTube, foi banida sem explicação clara, enquanto canais antifeministas prosperam. A cultura da machosfera tem gerado um ambiente hostil para mulheres nas redes sociais, afetando a liberdade de expressão delas. A pesquisa também encontrou vídeos que justificam e normalizam a violência contra mulheres, o que pode influenciar jovens a aceitarem comportamentos abusivos. Entre 2021 e 2023, o número de feminicídios aumentou, e a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, destacou que o discurso de ódio nas redes tem consequências graves. Embora a Lei Lola tenha sido aprovada para combater a misoginia online, sua implementação ainda é insuficiente. Especialistas afirmam que a falta de regulação eficaz permite que conteúdos misóginos continuem circulando e gerando lucro, e que é necessário um conjunto de políticas públicas para enfrentar o problema de forma abrangente.
Quando criou o blog Escreva Lola Escreva em dois mil e oito, a professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Lola Aronovich, não previa que sua luta contra a misoginia a tornaria alvo de uma intensa campanha de ódio online. Uma nova pesquisa do NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que 137 canais no YouTube promovem conteúdo misógino, gerando lucros e contribuindo para o aumento da violência contra mulheres no Brasil.
Desde o início de seu blog, Lola enfrentou comentários misóginos. Em dois mil e dez, descobriu comunidades no Orkut que discutiam sobre ela. Com o tempo, esses grupos se diversificaram e monetizaram seu discurso de ódio. Atualmente, esses canais somam mais de 105 mil vídeos e cerca de 152 mil inscritos. A pesquisa aponta que 80% desses canais utilizam estratégias de monetização, como anúncios e doações em transmissões ao vivo.
Entre as táticas de arrecadação, 52% dos canais exibem anúncios, enquanto 28% adotam o Programa de Membros do YouTube. Os Super Chats, doações durante transmissões ao vivo, geraram mais de R$ 68 mil em apenas 257 lives. Além disso, muitos influenciadores vendem cursos e produtos, com preços que variam de R$ 17,90 a R$ 1 mil por consultas individuais.
A pesquisa também destaca que a machosfera se divide em subculturas com diferentes níveis de misoginia, como os red pills e os incels. Esses conteúdos não apenas promovem a violência, mas também naturalizam comportamentos abusivos. O aumento de vídeos misóginos no YouTube coincide com o crescimento de casos de violência contra mulheres, como o aumento de feminicídios de 1.347 para 1.463 entre dois mil e vinte e um e dois mil e vinte e três.
A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, afirmou que o ódio disseminado nas redes sociais tem repercussões em diversas classes sociais. Para ela, a regulação das plataformas é essencial para proteger as mulheres. Apesar da aprovação da Lei Lola em dois mil e dezoito, que visa combater a misoginia online, a implementação ainda é insuficiente. Lola relata que, após ser banida do YouTube, não conseguiu avançar nas discussões sobre a aplicação da lei.
A falta de regulamentação eficaz permite que conteúdos misóginos prosperem. Especialistas defendem que a regulação não é sinônimo de censura, mas uma necessidade para limitar discursos que incitam ódio e violência. A pesquisa do NetLab destaca que a cultura da machosfera cria um ambiente tóxico, especialmente para mulheres em posições públicas, que enfrentam hostilizações constantes.
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