O ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, depôs ao Supremo Tribunal Federal sobre uma suposta conspiração para um golpe de Estado no Brasil, envolvendo Jair Bolsonaro e militares. Durante seu depoimento, ele afirmou que o almirante Almir Garnier ofereceu tropas da Marinha a Bolsonaro e discutiu formas de contestar o resultado das eleições de 2022. Baptista Junior tentou convencer Bolsonaro a não tomar ações que pudessem ameaçar a democracia, alertando que não havia base legal para que ele permanecesse no poder após a derrota. Ele também mencionou que houve conversas sobre a prisão de autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, e que um decreto para autorizar prisões no Judiciário foi sugerido. Baptista Junior deixou claro que a Força Aérea não apoiaria qualquer tentativa de ruptura institucional e alertou o general Augusto Heleno sobre a gravidade da situação política. A Procuradoria-Geral da República o indicou como testemunha na investigação sobre a trama golpista.
O ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Junior, depôs ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 21, sobre uma suposta conspiração para um golpe de Estado no Brasil. O foco da investigação envolve Jair Bolsonaro, militares de alta patente e membros do antigo governo, com ênfase nas eleições de 2022.
Durante seu depoimento, Baptista Junior revelou que o almirante Almir Garnier, ex-chefe da Marinha, colocou as tropas da força à disposição de Bolsonaro em discussões sobre a contestação do resultado eleitoral. “A postura do Garnier era de muito incômodo com o processo”, afirmou Baptista, que tentou demover o ex-presidente de ações que pudessem comprometer a democracia.
O ex-comandante relatou que, em uma reunião no Ministério da Defesa em dezembro de 2022, Garnier estava presente quando se discutiu um documento que previa a não assunção de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente. Baptista Junior se opôs à proposta, alertando que não havia caminho legal para que Bolsonaro permanecesse no poder após a derrota nas urnas.
Reuniões e Planos de Intervenção
Baptista Junior também mencionou que houve discussões sobre a possibilidade de prisão de autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes. Ele destacou que, em um “brainstorming”, foram aventadas medidas como a edição de um decreto que autorizaria a prisão de figuras do Judiciário. “Falei com o presidente Bolsonaro: aconteça o que acontecer, no dia 1º o senhor não será presidente”, disse Baptista.
O depoimento é considerado crucial para a investigação sobre a tentativa de golpe após as eleições. O ex-comandante enfatizou que a Força Aérea Brasileira não apoiaria qualquer tentativa de ruptura institucional. Ele também alertou o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, sobre a gravidade da situação política no país.
A Procuradoria-Geral da República indicou Baptista Junior como testemunha no processo que investiga a trama golpista. Seu relato, junto ao de outros militares, é fundamental para esclarecer os eventos que cercaram a transição de poder após as eleições de 2022.
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