A Polícia Federal identificou o general Walter Braga Netto como um dos principais responsáveis por um plano para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. Um relatório enviado ao ministro Alexandre de Moraes revela que ele e seus aliados usaram informações falsas sobre fraudes nas eleições para tentar dar um golpe de Estado. As provas foram obtidas do celular do coronel Flávio Botelho Peregrino, ex-assessor de Braga Netto, que está preso desde dezembro de 2023. O documento mostra que Braga Netto participava de um grupo no WhatsApp onde discutiam a criação de documentos falsos sobre as urnas eletrônicas. O grupo planejava entregar esse material ao então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para questionar judicialmente os resultados das eleições de 2022. Além disso, a PF aponta que eles enviaram estudos falsos a influenciadores digitais para espalhar desinformação. O relatório também destaca tentativas de acesso ilegal à delação de Mauro Cid, ex-ajudante de Jair Bolsonaro, indicando que eles queriam monitorar investigações. Mensagens entre Braga Netto e Cid mostram que a retórica golpista já existia antes das eleições, durante atos de 7 de setembro de 2021. Braga Netto negou as acusações em depoimento e sua defesa pediu uma acareação com Mauro Cid, marcada para 24 de outubro, para contestar as alegações de um plano golpista que envolvia assassinato de autoridades.
A Polícia Federal (PF) identificou o general da reserva Walter Braga Netto como um dos principais articuladores de um esquema para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. O relatório, enviado ao ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), revela que Braga Netto e seus aliados utilizaram informações falsas sobre fraudes eleitorais para preparar um golpe de Estado.
As evidências foram extraídas do celular do coronel Flávio Botelho Peregrino, ex-assessor de Braga Netto, que está preso preventivamente desde dezembro de 2023. O documento de 135 páginas destaca que o general participava de um grupo de WhatsApp chamado “Eleições 2022”, onde circulavam mensagens sobre a criação de documentos com alegações fraudulentas sobre as urnas eletrônicas.
Estratégias de Desinformação
O relatório indica que o grupo pretendia entregar um material manipulado ao então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para questionar judicialmente o resultado das eleições de 2022. As informações falsas sustentaram ações do Partido Liberal (PL) no TSE, que contestava a vitória de Lula no primeiro turno.
Além disso, a PF aponta que o círculo de Braga Netto promoveu uma rede de desinformação, enviando “estudos falsos” a influenciadores digitais, como o argentino Fernando Cerimedo, que disseminou conteúdos questionando a integridade das urnas eletrônicas.
Tentativas de Acesso a Delações
Outro ponto crucial do relatório é a tentativa de acesso ilegal ao conteúdo da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. O coronel Botelho mencionou ter recebido informações sobre o acordo de colaboração, indicando uma tentativa de monitorar as investigações.
As articulações golpistas, segundo a PF, não se limitaram ao período pós-eleitoral. Mensagens entre Braga Netto e Mauro Cid revelam que a retórica golpista já estava em curso durante os atos de 7 de setembro de 2021, quando Bolsonaro atacou ministros do STF.
Defesa e Desdobramentos
Na semana passada, Braga Netto negou envolvimento em planos golpistas durante depoimento a Moraes. Sua defesa solicitou uma acareação com Mauro Cid, marcada para o dia 24 de outubro. A equipe jurídica tenta refutar as acusações de que o general teria participado de um plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que supostamente envolvia assassinato de autoridades.
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