- A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi alvo de ataques verbais durante uma sessão da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados em dois de julho.
- O deputado Evair Vieira de Melo a chamou de “adestrada” e comparou sua retórica a grupos como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Hamas.
- Marina se sentiu “terrivelmente agredida” e destacou que a situação era “num nível piorado” em relação a uma audiência pública no Senado em maio, quando também enfrentou ofensas.
- Outros deputados, como Zé Trovão e Cabo Gilberto Silva, também questionaram sua competência, e Marina criticou a postura machista dos opositores.
- A Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados anunciou que tomará medidas contra os ataques, considerando as declarações incompatíveis com os princípios democráticos.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, enfrentou novos ataques verbais durante uma sessão da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, realizada na quarta-feira, 2. Convocada para discutir questões ambientais, Marina se sentiu “terrivelmente agredida” após ser chamada de “adestrada” pelo deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES). O parlamentar comparou sua retórica a grupos como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Hamas.
Durante a audiência, Marina destacou que a situação era “num nível piorado” em comparação ao que ocorreu em uma audiência pública no Senado em maio, quando também abandonou a sessão após ofensas. A ministra pediu calma em oração a Deus antes da audiência e afirmou estar “em paz” com sua consciência. Ela criticou a postura machista dos opositores, que, segundo ela, refletem um problema mais amplo de violência política de gênero.
Ataques e Respostas
Os ataques não se limitaram a Evair. Outros deputados, como Zé Trovão (PL-SC) e Capitão Alberto Neto (PL-AM), também desferiram ofensas, questionando a competência de Marina. O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) interrompeu a ministra, pedindo que ela tivesse “calma”, o que foi interpretado por Marina como uma tentativa de silenciamento. Ela respondeu que esse tipo de abordagem não é aceitável quando se dirige a uma mulher.
Marina enfatizou que a agressividade dos parlamentares não a intimidará e que a violência política de gênero deve ser combatida. “Eles escolhem alvos e bodes expiatórios”, afirmou, ressaltando que tais atitudes a motivam a lutar ainda mais por seus ideais. A ministra também defendeu a importância de punir agressores políticos, um tema que já havia sido abordado em audiências anteriores.
Reações e Consequências
A Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados anunciou que tomará medidas contra os ataques direcionados à ministra. Em nota, a Secretaria destacou que as declarações de Vieira são incompatíveis com os princípios democráticos e o decoro parlamentar. A Corregedoria Parlamentar poderá investigar as condutas dos parlamentares envolvidos.
Marina Silva, desde sua nomeação, tem sido alvo de ataques, refletindo um viés de gênero nos ataques que recebe. A ministra reafirmou seu compromisso em não permitir que sua voz seja silenciada e que continuará a defender políticas ambientais, mesmo diante da hostilidade.
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